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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

MP-SC fala em ‘manipulação’ e ‘edição’ de vídeo do caso Mariana

Equipe BR Político

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O Ministério Público de Santa Catarina afirmou em nota nesta quarta, 4, que o vídeo divulgado pelo site The Intercept Brasil sobre o caso Mariana Ferrer foi editado e manipulado. Por esse suposto motivo, pede à Justiça que levante o sigilo do material que comoveu representantes da sociedade civil e Judiciário pela forma “humilhante” como o advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho, advogado de defesa do empresário André Camargo Aranha, acusado de estupro, tratou a jovem na audiência.

No vídeo exibido pelo site, Cláudio Gastão da Rosa Filho diz: “Peço a Deus que meu filho não encontre uma mulher que nem você. E não dá para dar o seu showzinho. Teu showzinho você vai lá dar no Instagram depois para ganhar mais seguidores. Mariana, vamos ser sinceros, fala a verdade. Tu trabalhava no café, perdeu o emprego, está com aluguel atrasado há sete meses, era uma desconhecida. Vive disso. Isso é seu ganha pão né Mariana? É o seu ganha pão a desgraça dos outros. Manipular essa história de virgem”.

O MP de Santa Catarina condena o ato do advogado e protege o promotor de Justiça Thiago Carriço e o juiz Rudson Marcos. “No primeiro momento em que o advogado de defesa adotou atitude desrespeitosa em relação a Mariana, o Promotor de Justiça interveio para que ela não fosse exposta a situação de constrangimento. Além dessa manifestação, a íntegra do vídeo apresenta inúmeras outras interrupções promovidas pelo Promotor de Justiça, pelo defensor público que atuava como assistente de acusação e pelo Juiz, presidente do ato, inclusive nos momentos que foram editados para, propositalmente, excluir as intervenções realizadas em favor de Mariana”, diz em nota.

E pede a quebra de sigilo da gravação. “Diante desse contexto, o Promotor de Justiça Thiago Carriço de Oliveira requereu ao Poder Judiciário o levantamento do sigilo do vídeo da instrução criminal, a fim de que os órgãos de controle possam ter acesso à integra do ato processual e, com base nessas informações, avaliar adequadamente a postura adotada, de modo que a garantia do sigilo, que é justificada na preservação da vítima, não inviabilize o direito à informação da sociedade, sem edições ou manipulações”.

‘Difusão proposital da desinformação’

O MP condena com veemência a atitude do site. “O site The Intercept Brasil, por sua vez, alterou sua versão após nota oficial do MPSC e após veículos jornalísticos, formadores de opinião e influenciadores terem demonstrado nas redes sociais que as informações veiculadas pelo site estavam equivocadas. Publicou uma nota no fim da reportagem sobre o caso reconhecendo que havia utilizado de forma imprecisa a expressão “estupro culposo”, tipo penal que não existe no ordenamento jurídico, sob o argumento de artifício usual ao jornalismo para tornar o processo mais acessível ao público. O que ocorreu, no entanto, foi a difusão proposital da desinformação em um ambiente que todos sabemos ser propício para a propagação de informações sem a devida e necessária checagem de sua veracidade”.