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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

MPF afirma que operação contra Witzel não tem ‘viés político’

Equipe BR Político

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O procurador Eduardo El Hage, coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro, afirmou nesta sexta-feira, 28, que o afastamento de Wilson Witzel (PSC) por supostos desvios na área da Saúde “não tem qualquer motivação política”.  Nesta manhã, o governador creditou à subprocuradora Lindora Araújo a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo Witzel, o STJ foi “induzido” pela auxiliar de Augusto Aras.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC). Foto: Wilton Júnior / Estadão

“Não tem qualquer motivação política, muito pelo contrário. A peça está muito robusta, não tem qualquer viés político, como tenta desviar o governador Wilson Witzel”, aponta o procurador. “Foram encontrados inclusive e-mails que ele enviou com contratos do escritório da primeira-dama com pessoas citadas pelo colaborador (Edmar Santos).” El Hage falou em coletiva convocada pelo Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Receita. O pronunciamento não durou 20 minutos e perguntas não foram respondidas.

Segundo a Procuradoria, o escritório da advocacia da primeira-dama Helena Witzel intermediou pagamentos a favor de Witzel por empresas ligadas ao empresário Mário Peixoto, envolvido nos atos ilícitos e preso desde maio em desdobramento da Operação Lava Jato. Ao afirmar que hoje é um dia triste para o Rio, o procurador comparou o caso com a prisão do ex-governador Sérgio Cabral. “Escritório de advocacia para desvio de recursos, utilização de transportadoras de valores. Também a existência de doleiros no Uruguai. Então, na operação de hoje nós nos vimos como num túnel do tempo, vendo velhos fatos que já tínhamos investigado, mas com outros personagens”, disse.

O superintendente da Polícia Federal no Rio, delegado Tácio Muzzi, atualizou os números da operação realizada nesta sexta-feira. Ao todo, foram 82 mandados de busca e apreensão, além de 17 de prisão, sendo 11 temporárias e seis preventivas, como a do Pastor Everaldo.

Entenda a denúncia

Witzel foi afastado do cargo por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e foi denunciado, junto com a mulher e mais sete pessoas, por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo empresas ligadas à área da saúde. A denúncia aponta pagamentos feitos por empresas ligadas a Mário Peixoto, preso na Lava Jato, e pela empresa da família de Gothardo Lopes Netto, ex-prefeito de Volta Redonda (RJ), ao escritório de advocacia da primeira-dama Helena Witzel, que “foi utilizado para escamotear o pagamento de vantagens indevidas ao governador, por meio de contratos firmados com pelo menos quatro entidades da saúde ligadas a membros da organização criminosa e recebimento de R$ 554.236,50, entre agosto de 2019 e maio de 2020”.

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