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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

MPF na cola de Sergio Camargo

Equipe BR Político

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O presidente da Fundação Palmares, Sergio Camargo, vai responder na Justiça por improbidade administrativa. Na quinta-feira, 14, o Ministério Público Federal (MPF) encaminhou uma representação à Procuradoria da República no Distrito Federal após Camargo compartilhar publicações depreciativas contra Zumbi dos Palmares, símbolo do movimento negro no Brasil, no site oficial da instituição e em suas redes sociais.

Sérgio Camargo na Fundação Palmares

Sérgio Camargo na Fundação Palmares. Foto: Facebook/Reprodução

Para a Procuradoria dos Direitos do Cidadão do MPF, o ato de Camargo é “desleal, atenta contra o princípio central da administração pública, que é a legalidade, e é moralmente abjeto”. Os procuradores também consideram que negar ao povo negro a sua história e os seus heróis, como é o caso de Zumbi, é atentar contra a própria Fundação Palmares.

“A ação de improbidade contra os atos cometidos por Sergio Camargo busca tornar evidente que não há espaço, no Estado brasileiro, para flertes com regimes que fizeram da superioridade racial política de governo”, diz o MPF em nota.

No último dia 13, data que marcou 132 anos da assinatura da Lei Áurea, Camargo fez postagens de “repúdio a Zumbi”. Em uma delas, afirmou que um dos principais líderes da resistência à escravidão no País é “um herói da esquerda racialista; não do povo brasileiro”. ”

Camargo determinou ainda a publicação de uma série de artigos no site da Fundação Palmares que supostamente mostrariam “a verdade” sobre Zumbi. Um deles, de autoria do professor Luiz Gustavo dos Santos Chrispino, afirma que o movimento negro tinha influência do processo “Marxista Cultural de separação social” e precisava de “um ícone”, que viria a ser Zumbi. “Começava aí a Luta Esquerdista usando o povo negro como massa de manobra”, diz o texto.

A ação do MPF destaca que o conteúdo compartilhado “viola o propósito de resgate dos valores da influência negra no Brasil que marca estatutariamente a Fundação Cultural Palmares, criada por lei antes mesmo da Constituição Federal de 1988”, diz.

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