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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Mudar o teto sim, mas em 2023

Vera Magalhães

Com o cobertor do Orçamento para 2020 ainda mais curto que o de 2019, a regra do teto de gastos, que impõe como limite às despesas da União o valor do ano anterior, corrigido pela inflação, virou o novo vilão para setores importantes do governo federal. Casa Civil e militares puxam o cordão de um coro interno pela revisão da regra, fixada no governo de Michel Temer, informa o Estadão nesta quarta.

Nas últimas vezes em que falei com o ministro Paulo Guedes e outros expoentes da equipe econômica, no entanto, eles eram contrários a qualquer revisão da meta. Nesta terça-feira, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que já chegou a flertar com a revisão no passado, também saiu em sua defesa, como já mostramos aqui no BRPolítico.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, não quer abrir mão do teto de gastos Foto: José Cruz/Agência Brasil

O ministro da Economia, Paulo Guedes Foto: José Cruz/Agência Brasil 

Ajudou a fazer com que ganhasse corpo esse debate um estudo alentado com críticas à regra do teto escrito pelo economista Fábio Giambiagi, do BNDES. Pelo seu estudo, haveria aumento real de 1% ao ano de 2023 a 2026; 1,5% ao ano nos quatro anos seguintes; e 2% nos seis anos finais. Em entrevista ao Estadão, no entanto, ele diz ser favorável à revisão da regra do teto (que foi aprovada por emenda constitucional e só assim pode ser mudada), mas não agora. “Entendemos que, para o período entre 2023 e 2026, é impossível manter (o teto) sem mudanças por causa da dinâmica dos gastos e das despesas discricionárias”, diz ele, que defende que sejam revistas as despesas obrigatórias e os gastos com pessoal.