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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Na CNN, Araújo não culpa ONGs por queimadas

Equipe BR Político

Em uma entrevista à emissora internacional CNN, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, até tentou, mas não se distanciou muito da retórica incendiária do Planalto a respeito da Amazônia. Apesar de manter a calma e buscar ser didático, o chanceler seguiu a linha do presidente Jair Bolsonaro e afirmou que o fogo na Amazônia é, em parte, natural, e em parte causado por pessoas que querem prejudicar o governo. “Havia até mesmo pessoas se coordenando pelo WhatsApp para colocar fogo na Amazônia, então esse é o tipo de pessoas que estamos enfrentando”, disse. Questionado, Araújo disse que não culpa ONGs internacionais pelas queimadas, contrastando com as suspeitas levantadas por Bolsonaro, mas, assim como o presidente, não especificou quem seriam os responsáveis.

Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo discursa em Brasília

Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Foto: Joedson Alves/EFE

O chanceler foi entrevistado pela jornalista britânica Christiane Amanpour na quarta-feira, 4, que o enquadrou com dados a respeito do aumento no número de focos de incêndio na Amazônia neste ano. “A Amazônia não está queimando, nem um pouco. Os fogos estão mais intensos do que no ano passado, mas abaixo da média dos últimos 20 anos”, respondeu Araújo.

Amanpour também pressionou o ministro a respeito da exoneração do ex-diretor do Inpe, Ricardo Galvão, que foi demitido após o instituto divulgar dados mostrando que havia aumento o desmatamento na Amazônia. “Ele (Galvão) mentiu. Foi uma grande distorção dos dados científicos”, disse Araújo. O chanceler justificou-se dizendo que o Inpe mostrou dados sobre o desmatamento ocorrido ao longo de mais de um ano, e os apresentou como sendo referentes somente ao mês de junho.

Ao longo da entrevista, Araújo ressaltou que o governo do presidente Jair Bolsonaro está combatendo as queimadas e que o País tem condições para preservar a floresta. A ideia, segundo o ministro, é desenvolver a Amazônia de maneira sustentável para as populações que moram no local, investindo em projetos de ecoturismo e pesquisas, por exemplo. O ministro esquivou-se, no entanto, de responder se acredita em mudanças climáticas. Em ocasiões anteriores, Araújo já negou o aquecimento global.