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por Marcelo de Moraes

Na contramão da OMS, líder do governo defende imunidade de rebanho como solução para economia

Gustavo Zucchi

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O líder do governo na Câmara e ex-ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), deu o tom do desejo do governo: encerrar a pandemia como que por canetada, encerrando de vez o distanciamento social. Em evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Barros defendeu a chamada “imunidade de rebanho”, condicionando a infecção de uma parcela ainda maior da sociedade pelo coronavírus com a sonhada “retomada econômica”.

“De que adianta fazer um plano, investir muito dinheiro e ter outro repique, que é o que está acontecendo na Europa, que começou a funcionar e agora para de novo?”, questionou Barros. “Quanto custa você investir em um plano de retomada e começar do zero tudo de novo? Não é um erro que devemos repetir aqui. Fui ministro da Saúde, eu sei o que estou falando. Precisamos tocar a vida normal no País”, afirmou.

Líder do Governo na Câmara, Ricardo Barros. Foto: Reprodução

O Brasil já tem 155 mil vidas perdidas devido ao novo coronavírus, segundo o consórcio de imprensa. O número de contaminados é de 5.303.520. A imunidade de rebanho, incentivando a contaminação da população, já foi descartada pela Organização Mundial da Saúde como uma solução viável para a pandemia. A entidade explicou que apenas com uma vacina esse estágio deverá ser alcançado.

Por sua vez, o deputado frisou que, no seu entendimento, essa imunidade coletiva não será atingida com o surgimento de uma vacina. A ideia, segundo o ex-ministro, é colocar todo mundo para trabalhar novamente e dar atendimento para quem precisar. “Não tem vacina até 2022 para todo mundo. A vacina de hoje é o respirar de ontem”, disse. “Temos já os respiradores em quantidade. Temos a tecnologia par produzir respiradores. Temos a estrutura de UTI instalada, temos 50 mil postos de saúde, o que ninguém tem no mundo. Temos agora os antivirais, que estão testados agora, que diminuem a carga viral, que diminui a transmissibilidade. Então temos que enfrentar o problema.”

Nos últimos dias, Jair Bolsonaro tem aderido fortemente à campanha antivacina. O presidente da República se posicionou contra a compra de vacinas em desenvolvimento pelo Instituto Butantan, em São Paulo. Um afago para ala ideológica de seu governo que é contra uma vacinação, em especial com um produto feito em parceria com a China. Por outro lado, o Planalto bate o bumbo pela utilização de medicamentos sem eficácia comprovada.

“O principal desafio é encerrar a pandemia. Como é que encerra? Com imunidade de rebanho. Como se adquire a imunidade? Com a retomada da atividade, volta as aulas, volta da atividade econômica”, explicou Barros. “Se nós estamos falando de retomada, temos que falar de retomada pós-pandemia. Cadê o pós? Temos que enfrentar e encerrar o problema para fazer uma retomada consistente e um investimento seguro.”