Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Marcelo de Moraes

Na disputa pela presidência da Câmara, todos querem ser ‘independentes’

Gustavo Zucchi

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A “batalha” entre Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Maia (DEM-RJ) pela sucessão na Câmara é também uma disputa para ver quem é mais “independente” do governo. Nenhum dos dois candidatos quer ver colada em si a pecha de “governista” e tenta apontar essa característica em seu adversário.

Como Maia ainda não escolheu oficialmente um nome para apoiar, Lira, que é o favorito de Jair Bolsonaro para o cargo, tem lembrado que Maia foi eleito em eleições passadas com apoio presidencial. Tanto em 2017, por Michel Temer, quanto em 2019, por Bolsonaro, Maia era o nome que mais agradava ao Planalto.

“Difícil entender a obsessão pela oposição e independência de ocasião”, escreveu Lira em seu Twitter. “Maia legitimamente teve apoio de Michel Temer e até de Jair Bolsonaro ali no início de 2019. Nem por isso foi subserviente ou acusado de anti-democrático ou autoritário”, completou, reclamando da propaganda negativa feita por seu adversário.

Maia busca uma “vacina” para tal discurso. O presidente da Câmara anda lembrando parlamentares que em 2019 sua campanha também tratava de “independência” da Casa Baixa ante outros Poderes. E que não faz tal “discurso de ocasião”. E aliados do democrata distribuem entre parlamentares a propaganda de 2019 para provar que esse já era o mote de campanha há dois anos.

No outro lado do ringue, partidários da candidatura de um nome indicado pelo deputado fluminense insistem que Lira é aliado de Bolsonaro e que, portanto, defenderá a agenda do Planalto caso vença a eleição. Na carta de formação do bloco, a aliança entre partidos de diversas matrizes ideológicas foi justificada justamente pela união contra o atual presidente da República e seu favorito para sucessão na Câmara.

Hoje, o grande problema de Lira é ser associado ao governo, o que afastou boa parte dos parlamentares de oposição de sua candidatura. Partidos de esquerda estão deixando claro que estarão com Maia para impedir que um nome ligado a Bolsonaro seja eleito. Fortalecendo assim qualquer que seja o escolhido pelo bloco.

Propaganda de Rodrigo Maia em 2019. Foto: Reprodução