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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Na intimidade, até pai fala que vai matar o filho’, diz Eduardo ao defender Weintraub

Alexandra Martins

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O deputado federal Eduardo Bolsonaro fez nesta quinta, 28, defesa enfática do ministro Abraham Weintraub, hoje na linha do pênalti por ter dito que “colocaria todos esses vagabundos na cadeia, começando no STF” e, consequentemente, ser convocado para prestar depoimento perante a Polícia Federal em cinco dias. Para evitar prisão do titular do Ministério da Educação ou outra medida cautelar, o ministro da Justiça, André Mendonça, ingressou com um habeas corpus preventivo de Weintraub.

Segundo o parlamentar, o ministro tem direito a habeas corpus como qualquer outro cidadão. “Que crime ele cometeu para ser conduzido ao STF para que ele venha a sofrer esse tipo de constrangimento?”, questionou. Para Eduardo, Weintraub não cometeu qualquer crime “até porque o Brasil não é como a Alemanha nazista, não existe crime de opinião”, segundo afirmou hoje em entrevista à Rádio Bandeirantes.

Eduardo Bolsonaro em entrevista à Rádio Bandeirantes

Eduardo Bolsonaro em entrevista à Rádio Bandeirantes Foto: Reprodução

O filho do presidente, cujo irmão é investigado pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro por suspeitas de prática de rachadinha na Alerj, acusa o ministro Celso de Mello, que levantou o sigilo do vídeo da reunião ministerial que embasa acusações de interferência política do presidente Jair Bolsonaro na PF, de falta de coerência. “Não pode o STF invadir a Presidência da República, pegar uma fita de uma reunião secreta, divulgar em público para depois tentar criminalizar um dos ministros. Pelo amor de Deus, aí falta um mínimo de coerência e bom senso do ministro Celso de Melo”, alegou.

Ele insiste em transformar o ministro de governo em outra pessoa qualquer, bem como indicar que a reunião do dia 22 de abril, gravada aos olhos de todos os participantes, foi uma agenda “íntima”. “Na intimidade, até pai fala que vai matar o filho, namorado fala que vai matar a namorada, e nada disso significa (que cometeram o crime). Então, de maneira nenhuma, de acordo com o Código Penal brasileiro, Weintraub não cometeu crime”, repetiu. Segundo ele, não é “descabida” a interpretação que ele ouve de seu entorno de que o decano cometeu crime de abuso de autoridade ao autorizar a divulgação do vídeo.

Por outro lado, como prova de eventual descrédito da Suprema Corte, Eduardo cita movimento do Twitter a favor de Weintraub ao governo de São Paulo. “E pasmem, ou não pasmem. Quando saiu a fala do ministro Abraham Weintraub sobre o STF, a popularidade dele só aumentou. As pessoas agora estão começando a pedir Weintraub para governador de São Paulo”.