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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Na ONU, Bolsonaro fala em soberania e critica ‘regras internacionais injustas’

Equipe BR Político

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O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, 30, em discurso gravado para a Cúpula da Biodiversidade na ONU, que está “ciente do enorme potencial da bioeconomia” e dedicou parte de seu tempo no painel para falar em gestão soberana, além de criticar cobranças internacionais ao Brasil de preservação do meio ambiente. Bolsonaro usou o mesmo termo que empregou mais cedo ao rebater afirmações do candidato à presidência dos Estados Unidos Joe Biden sobre a Amazônia e falou mais uma vez em “cobiça internacional” sobre a região.

O presidente Jair Bolsonaro em discurso na Cúpula de Biodiversidade da ONU

O presidente Jair Bolsonaro em discurso na Cúpula de Biodiversidade da ONU Foto: Reprodução/Nações Unidas

O presidente afirmou que irá defender a Amazônia de “ações e narrativas que agridam interesses nacionais”. “Não podemos aceitar, portanto, que informações falsas e irresponsáveis sirvam de pretexto para a imposição de regras internacionais injustas que desconsiderem as importantes conquistas ambientais que alcançamos em benefício do Brasil e do mundo”, disse. Mencionou também a Convenção sobre Diversidade Biológica. “Ela consagra o direito soberano dos Estados de explorar seus recursos naturais em conformidade com suas políticas ambientais. E é exatamente isso o que pretendemos fazer coma enorme riqueza que existe no território.”

O presidente citou a operação militar Verde Brasil 2 na Amazônia como ação do País de combate à devastação da região e disse, sem dar detalhes, que ela “reverteu a tendência de desmatamento observada nos anos anteriores”. A afirmação não encontra respaldo nos dados. A operação foi lançada em maio, dob a coordenação do vice-presidente Hamilton Mourão. Em agosto de 2020, o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) detectou 1.499 km² de desmatamento na Amazônia Legal, uma alta de 68% em relação a agosto de 2019.

Bolsonaro ainda dedicou palavras de seu discurso para fazer acusações a ONGs, também sem dar detalhes ou evidências. Ele afirmou dará continuidade à operação “para intensificar ainda mais o combate a esses problemas que favorecem as organizações que, associadas a algumas ONGs, comandam os crimes ambientais no Brasil e no exterior.” Depoism disse que mesmo enfrentando a pandemia, seu governo teria reforçado ações de vigilância sobre biomas em 2020 e fortalecido meios para combater “a degradação dos ecossistemas, a sabotagem externa e a biopirataria”.