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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Não dá mais para o PSDB fechar os olhos’, diz FHC sobre autocrítica

Equipe BR Político

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Sem citar nomes de tucanos investigados em casos de corrupção, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu que o PSDB faça uma autocrítica, em entrevista na noite de segunda, 29, no Roda Viva. “Se depender de mim, já (sobre o momento em que o partido fará autocrítica). Não dá mais para o PSDB fechar os olhos: ‘ah, não aconteceu nada’. Acontece, não vou personalizar, algumas (acusações) são injustas, outras são justas, mas não se pode tapar o sol com a peneira”, disse FHC. Segundo ele, “o mais grave no Brasil não é o fato individual de haver um ou outro que cometeu um excesso ou se corrompeu. Acho que é quando você cria um sistema que é corrupto”, completou.

O ex-presidente destacou haver uma crise de representação dos partidos, não só no PSDB, que exigiria “um processo de revisão profunda”.

“Acho que todos os partidos têm que sofrer um processo de revisão profunda. O PSDB quando foi fundado, sou um dos fundadores, a maioria de nós pertencia ao MDB, ou PMDB. Por que criamos um partido novo? Porque o MDB perdeu identidade naquele momento, ficou diversificado, tem muitas correntes, em tudo se dividia. Talvez esteja acontecendo algo semelhante no PSDB. Os partidos nascem e morrem também, espero que o PSDB não morra”.

Questionado sobre uma suposta simetria entre Jair Bolsonaro e Lula, FHC afirmou que não colocaria os dois no mesmo saco. “Eu não igualo o Lula ao Bolsonaro. Não conheço Bolsonaro, nunca vi. Ele foi deputado, quis me fuzilar, eu nem sabia que ele existia. O Lula eu conheço, conheço de quando era operário. O que eles simbolizam não é a mesma coisa. O Lula simboliza a inclusão de grupos, de trabalhadores, pessoas que não estavam integradas e trouxe para a vida política. O Bolsonaro não precisou trazer ninguém, me parece que ele pertence a um grupo que tem mais restrições, o Lula é mais maleável, parece”, disse.

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