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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Não fui passear, fui ver o povo’, rebate Bolsonaro

Equipe BR Político

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O presidente Jair Bolsonaro rebateu nesta segunda, 30, as críticas recebidas por ter feito ontem visitas a vários comerciantes de Brasília e entorno em plena pandemia do coronavírus. A interação física, além de contrariar orientações médico-sanitárias dos principais órgãos de saúde no mundo, ocorreu um dia após ele fazer uma reunião tensa com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que defendeu em coletiva no sábado, 28, o isolamento total como forma de frear a disseminação do novo coronavírus. “Não fui passear, fui ver o povo”, justificou o presidente ao deixar hoje o Palácio da Alvorada, acrescentando que está “trabalhando com responsabilidade”.

Como tem feito reiteradamente, Bolsonaro fez novas acusações contra a imprensa. “Tem vacina? Não. Tem remédio? Não. Mas tem outro problema: o desemprego. Tem que ser tratado com igual responsabilidade: vírus e a questão do desemprego. Fui ontem em Ceilândia e Taguatinga. Folha de S. Paulo, não fui passear não. Uma imprensa que não tem caráter não poderia agir de outra maneira. Fui ver o povo”, disparou.

O presidente Jair Bolsonaro na manhã desta segunda

O presidente Jair Bolsonaro na manhã desta segunda Foto: Reprodução/Instagram Jair Bolsonaro

A apoiadores, ele declarou que é preciso resolver o problema e, com ironia, questionou se seria necessário trocar o presidente da República. “Parece que o problema é o presidente. É que o presidente tem responsabilidade, tem que decidir. Não é apenas a questão de vida, é a questão da economia também, a questão do emprego. Se o emprego continuar sendo destruído da forma como está sendo, mortes virão outras por outros motivos”, declarou, citando depressão e suicídio.

Questionado sobre a postura do presidente Donald Trump de estender a quarentena nos EUA até final de abril, Bolsonaro também agiu como sempre o faz quando se incomoda com uma pergunta. “Eu vou não vou discutir. Brasil é diferente de qualquer outro país”, desconversou. Lamentou ainda ser visto como o “único problema”. “Atiram numa pessoa só. O alvo sou eu. Se o Bolsonaro sair e entrar o (Fernando) Haddad (PT, candidato derrotado por Bolsonaro em 2018) ou outro qualquer, está resolvido o problema. Esta realidade tem que ser mudada”, defendeu.