Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Negociação difícil no horizonte

Marcelo de Moraes

Exclusivo para assinantes

Não será tranquila a nova rodada de negociações entre os integrantes da equipe econômica e a Câmara dos Deputados em torno do projeto de socorro a Estados e municípios por causa do coronavírus. Os dois lados não escondem mais suas contrariedades uns com os outros. Mas, dos dois lados existem algumas justificativas razoáveis e outras absolutamente política para explicar essa trombada.

Do lado do governo, existe a convicção de que os deputados querem pegar o máximo de recursos para ajudar seus aliados, sem compromisso fiscal. Portanto, pedem mais do que precisam ao governo e arriscam a saúde das contas públicas. Essa é uma explicação que permite um debate técnico. No lado político, o governo vê o Congresso como um adversário político, que tenta minar sua força e não está disposto a facilitar a vida para esses oponentes.

Do lado do Congresso, existe a legítima intenção de impedir que Estados e municípios quebrem e, portanto, quanto maior for o repasse de recursos, mais chances haverá de impedir isso. No campo político, deputados, como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, demonstram cada vez mais impaciência com a estratégia adotada pelo governo e até pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, de criticar os parlamentares como se pensassem apenas em elaborar uma pauta bomba para inviabilizar o governo.

A tensão entre essas duas forças se tornou uma constante, mas sempre havia uma brecha para uma reaproximação política. Agora, um ano e quatro meses depois do início do governo, essa relação parece estar próxima do esgarçamento completo. Os parlamentares sabem que as redes bolsonaristas criticam o trabalho do Congresso o tempo inteiro. E se ressentem de o governo não agir para frear esses ataques. No Planalto, os bolsonaristas também acham que o Congresso colocou no radar a tentativa de votação de um impeachment de Jair Bolsonaro no futuro. Hoje, com o coronavírus cada vez mais forte, não há qualquer clima para isso, mas as teorias da conspiração são fartas nos corredores do Planalto.

O fato é que as novas conversas sobre o projeto de socorro deverão ser novamente bastante complicadas por causa desse clima político.

Tudo o que sabemos sobre:

coronavírussocorro aos Estados