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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Nem por R$ 4 bi agricultores da UE querem rever acordo

Equipe BR Político

Em meio à pressão internacional sobre o Brasil por conta das políticas ambientais do governo federal, a central de agricultores europeus Copa-Cogeca afirmou que o acordo negociado entre a União Europeia e o Mercosul não fornece garantias suficientes contra o desmatamento na produção agrícola. A central disse que prefere rever o acordo com o Mercosul para que sejam assegurados “controles efetivos” que protejam o meio ambiente. Detalhe: pedindo para rever o acordo, a Copa-Cogeca abre mão de uma “ajuda financeira” de € 1 bilhão (R$ 4,6 bilhões). Esse valor foi prometido aos agricultores da UE em junho pelo comissário de Agricultura europeu, Phil Hogan, para compensar a “perturbação do mercado” causada pela concorrência com os produtos do Mercosul. “Esperamos propostas da Comissão Europeia (por mais garantias), mais do que uma ajuda suplementar como anunciada”, disse um porta-voz da central ao Valor.

A associação de agricultores diz que o acordo foi fechado antes dos incêndios na Amazônia terem virado assunto mundial. “Mas a questão que se coloca hoje é, uma vez as chamas apagadas, uma vez diminuída a pressão midiática, o que vai acontecer com esse acordo?”, indagou a central agrícola. Além da Copa-Cogeca, a Alemanha também endureceu sua postura com relação ao governo brasileiro. A ministra da Agricultura alemã, Julia Klöckner, afirmou, na quarta-feira, 28, que o Brasil se comprometeu com o manejo florestal sustentável quando fechou o acordo com o Mercosul. “Se o País não cumprir essa obrigação, não assistiremos a isso passivamente”, disse ela, dando sinais de que a Alemanha pode voltar atrás na ratificação do acordo com o bloco de países do Sul, caso o governo do presidente Jair Bolsonaro não reveja sua postura ambiental.