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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Maduro pede ‘mais solidariedade’ ao Brasil

Equipe BR Político

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, diz não estar preocupado com uma possível ativação do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar) por parte de países membros da OEA. Em entrevista à Folha, o venezuelano afirmou que o Tiar é um tratado morto, e que o único que resta é sepultá-lo. “Bem sepultado”, acrescenta. Maduro também declarou que não quer falar de guerra, e sim de paz. Mas não hesitou em comentar sobre o poderio das Forças Armadas de seu país. “O mundo não deve se esquecer de que a Venezuela tem uma força armada profissional, com um bom sistema de armas defensivo, poderoso. Além disso, temos 3 milhões de homens e mulheres voluntários, da milícia nacional.” Aqui no BRPolítico, separamos os principais pontos para entender o que é o Tiar.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Foto: Venezuelan Presidency / AFP

Maduro governa desde 2013, quando o ex-presidente Hugo Chávez morreu. Atualmente a Venezuela vive uma crise humanitária, com escassez de comida e medicamentos. De acordo com o relatório de 2019 da ONG Human Rights Watch (HRW),  uma pesquisa nacional de 2018 concluiu que a insegurança alimentar assolava 80% dos lares venezuelanos, e que cada um dos entrevistados havia perdido uma média de 11 quilos em 2017. Além disso, o governo de Maduro é acusado de perseguir a oposição. Segundo a HRW, existem mais de 230 presos por razões políticas no país. 

O líder da Venezuela não poupou críticas ao governo do presidente Jair Bolsonaro, a quem acusa de ter em mente “apenas a agressão contra a Venezuela”. “Ele não é um político. Ele, como presidente do Brasil, com uma fronteira tão grande com a Venezuela, e uma história comum, estaria obrigado, se fosse um estadista, a ter uma comunicação mínima com a Venezuela. Voltarão os dias em que haverá um governo no Brasil com quem possamos nos entender”, disse. O venezuelano repudiou as homenagens prestadas por Bolsonaro ao ex-ditador chileno Augusto Pinochet, o “Hitler sul-americano”, de acordo com Maduro. 

O venezuelano também negou que seu País viva uma ditadura, e classificou como “estúpido” quem pensa desta maneira, incluindo o ex-presidente uruguaio de esquerda José “Pepe” Mujica. 

O governante da Venezuela seguiu afirmando que seu país resiste a conspirações internacionais, e a tentativas de golpe de Estado por parte da oposição, quem considera “pior do que o Bolsonaro”. Ele ainda mandou um “recadinho” para os brasileiros: “Eu diria ao povo do Brasil que a Venezuela necessita mais solidariedade. Mais apoio”.