Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

No debate da privatização, qualidade do serviço não pode ser esquecida

Marcelo de Moraes

Nos últimos dias, muito se falou sobre as enormes dificuldades que o processo de privatização dos Correios deverá enfrentar para poder ser feito. O próprio presidente Jair Bolsonaro admitiu publicamente isso e elencou uma série de obstáculos, como o que fazer com os servidores da empresa, como contornar a resistência dentro do Congresso, como passar pelo crivo rigoroso do acompanhamento do processo de venda pelo Tribunal de Contas das União (TCU), entre outros pontos.

Especialistas e defensores do processo de privatização aproveitaram para ampliar o pedido pela venda imediata dessa e de outras estatais, que, por essa visão, estão só transformando o Estado numa máquina cada vez mais pesada e ineficiente.

Mas um lado desse debate segue sendo colocado de lado e isso não poderia estar acontecendo. Correios e outras estatais existem porque há uma demanda da sociedade por algum tipo de serviço que precisa ser prestado. Público ou privado, ele tem de atender a demanda que existe por ele.

No caso da Eletrobrás, por exemplo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, me disse, no fim do ano passado, que a privatização é a melhor saída porque o Estado perdeu a capacidade de investimento no setor e que a entrada de capital de fora daria a qualificação necessaria para que o serviço de boa qualidade seja prestado. No caso dos Correios, ele acha que isso pode ser feito apenas com a quebra do monopólio, sem necessitar da venda da empresa.

O que não pode deixar de ser debatido é a qualidade do serviço que será prestado, em caso de privatizações. Vender apenas para reduzir uma obrigação do Estado ou conseguir um bom preço pode transformar um aparente lucro num prejuízo para a população se o produto a ser entregue for ruim.

Tudo o que sabemos sobre:

correiosPrivatização