Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

No Rio, momento ‘afasta de mim esse cálice’

Mario Vitor Rodrigues

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“O Bolsonaro apoia o Crivella; o Lula apoia a Benedita; e o Ciro apoia a Martha Rocha. O que me dá força é a vontade soberana do povo do Rio. O nosso foco está no Rio e na eleição deste domingo.”

Foto: Wilton Júnior / Estadão

A mensagem acima, publicada ontem na conta oficial do candidato Eduardo Paes (DEM) no Twitter, teve tanto de inocente quanto o abuso da imagem de Jair Bolsonaro (sem partido) pela campanha de Marcelo Crivella (Republicanos).

Quem o diz é o timing: pouco antes começou a correr nas redes sociais a notícia de que o presidente da República estaria inclinado a apoiar Paes em caso de um segundo turno entre o ex-prefeito do Rio e Martha Rocha (PDT).

Em um ambiente polarizado, com a maioria dos candidatos frequentemente preocupados em não deixar dúvidas sobre suas posições político-ideológicas, Paes nunca demonstrou dificuldade para se desarmar críticas relacionadas a um suposto desprendimento para construir pontes. Desta vez, contudo, essa habilidade pode não ser suficiente.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada na última quarta-feira, 11, o índice de aprovação de Bolsonaro no Rio de Janeiro caiu 6 pontos (de 34% para 28%), sendo que a rejeição oscilou um ponto para cima (de 41% para 42%).

Além da queda na aprovação do presidente na cidade, o prefeito Marcelo Crivella lidera no quesito rejeição, com 58% dos cariocas dizendo que não votarão no bispo licenciado de jeito nenhum.

Receber o apoio de Bolsonaro no caso de um embate contra Martha seria particularmente perigoso, além de tudo isso, por conta da baixa rejeição da candidata pedetista (11%, contra 28% de Paes).

Não se pode descartar que a eleição no Rio termine ainda no 1° turno, mas se Paes pudesse escolher o cenário, não restaria dúvida: o adversário ideal seria Marcello Crivella.

Pelo fator rejeição em primeiro lugar, mas também para não precisar lidar com o constrangedor e potencialmente ‘radioativo’ apoio de Jair Bolsonaro.