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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

No Twitter de Bolsonaro, paródia de Rei Leão

Vera Magalhães

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Jair Bolsonaro está em viagem oficial de duas semanas a vários países da Ásia e do Oriente Médio. Pouco provável que tenha tido tempo de parar para tuitar uma paródia tosca de O Rei Leão com conotação de leitura política barata.

Mas foi o que apareceu no perfil do presidente em plena segunda-feira em que seu governo prepara um pacote de importantes e difíceis reformas econômicas para mandar ao Congresso e marcar seus 300 duas de gestão.

No vídeo, que já foi apagado, um leão, tal qual o Simba do filme da Disney, é cercado por uma matilha de hienas. Em vez dos personagens do filme, elas são identificadas como partidos (PT, Pc do B e até o PSL), entidades (OAB, veículos de imprensa como o Estadão) ou até instituições como o STF, e tentam, famintas, cercar o leão para devorá-lo. O rei da selva, claro, é Bolsonaro.

O tipo de vídeo e a postagem com sintaxe paranoica e confusa denotam que o autor intelectual do post não é o pai, mas o filho Carlos Bolsonaro, que na semana passada já usava o Twitter do pai enquanto ele cumpria agenda no exterior.

Agora resolveu se indispor com o Supremo e usar os casos da Bolívia, do Chile e da Argentina para apontar o risco de volta da esquerda, ao qual só o Simba Bolsonaro poderia se contrapor.

Já apontei aqui o risco dessa criação de um inimigo comum, e imaginário, para incutir no eleitorado a impressão errônea de que o único caminho ilírico possível é uma polarização nos extremos.

Também escrevi no domingo no Estadão que a situação do Chile deveria ser lida pelo governo não pelo binarismo simplista de que se trata de uma disputa entre direita e esquerda.

Mas é desta forma que o entorno do presidente vai explorar o assunto,em mais uma demonstração de que teremos quatro anos de ininterrupta campanha eleitoral, com o presidente inflamando as massas enquanto alguns de seus ministros não ideológicos tentam recuperar a economia.

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