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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Nomes tradicionais e abalo à ‘recusa’ da política devem marcar resultados, avalia Fleischer

Equipe BR Político

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Nesta eleição municipal, observadas as pesquisas de boca de urna e o início das apurações, o movimento que prosperou nos últimos pleitos de negação à política tradicional e por uma suposta renovação “antipolítica” deve sair enfraquecido, avalia o cientista político da UnB David Fleischer. “Quem Bolsonaro apoiou, por exemplo Russomanno, nem deve chegar ao segundo turno. Crivella deve chegar mas muito para trás. Bolsonaro apoiou os Republicanos, delegada Patrícia, que caiu de 16% para 11%”, observou ao BRP

O candidato à prefeitura de Recife João Campos

O candidato à prefeitura de Recife João Campos Foto: Reprodução/Facebook João Campos

Na avaliação do especialista, o PT também pode sair ainda mais enfraquecido do que em 2012. Já o crescimento do centro, com o DEM, e de partidos da centro-esquerda, como o PDT e PSB devem ser o ônus desta eleição. 

Como exemplo, em Salvador, Bruno Reis (DEM) deve levar em primeiro turno, segundo a última pesquisa do Ibope. O candidato lidera também na apuração, que está em cerca de 34%, com 63,5% dos votos válidos na capital baiana. Em Recife, o PSB chega com João Campos na liderança. De acordo com a pesquisa de boca de urna do Ibope, ele deve ter 35% dos votos. O partido está coligado com o PDT em diversas capitais e pode embarcar numa aliança nacional visando o pleito de 2022.

 O especialista chama atenção para o fato de que em diversas capitais há candidatos tradicionais e conhecidos de longa data com grande probabilidade de ganhar ou ir ao segundo turno, como em Manaus, onde Amazonino Mendes (Podemos), que já foi prefeito e governador do Amazonas, lidera as intenções de voto, ou em Goiânia, onde lideram Maguito Vilela (MDB) e Vanderlan Cardoso (PSD). “Tem alguns nomes muito tradicionais liderando, isso é uma coisa a observar. Pode se ter alguns casos novos, mas também tem muito cara conhecido, tradicional”, afirma.

Na esquerda, apesar de novos nomes estarem na disputa por prefeituras, Fleischer destaca que os que têm as maiores chances são os representam uma história tradicional já na política. “Em Porto Alegre, Manuela é líder. Mas ela não é nova na política do Rio Grande do Sul, está lá há bastante tempo. Não é o que se pode chamar de uma cara nova da política gaúcha. João Campos e Marília Arraes são personagens conhecidos em Pernambuco e os dois são netos do grande ícone de esquerda no Estado, Miguel Arraes. Aí já é política tradicional, não são novidades”, afirma.

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