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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Nossa disputa não é com Boulos, é com Russomanno, diz Tatto

Alexandra Martins

O candidato à Prefeitura de São Paulo, Jilmar Tatto (PT), afirmou que seu principal adversário na disputa eleitoral na Capital é Celso Russomanno (Republicanos), durante entrevista ao BR Político, nesta tarde de quinta, 8, quando questionado sobre a posição de vantagem de Guilherme Boulos (PSOL) nas recentes pesquisas de intenção de votos. “Não tenho dificuldade nenhuma com o Boulos. Cada um vai defender as suas ideias. Ele tem força nas redes sociais que eu não tenho. A disputa nossa não é com Boulos é com o Russomanno, nem com o (Marcio) França (candidato do PSB)”, afirmou o ex-deputado federal.

Segundo Tatto, o antipetismo identificado pelo Ibope (36%) não o fará esconder o PT em seu horário eleitoral, que começa amanhã, 9. “Eu não tenho como política esconder o PT. 2016 foi o momento mais difícil do PT e eu não o escondi. Se o Ibope está dando que o PT tem 23% (de simpatizantes), significa provavelmente que o PT tem em torno de 27% entre os que ganham até 3 salários mínimos. É quase um terço, nós precisamos buscar esse eleitor.”

O candidato afirmou que parte do eleitorado “se confunde” sobre qual partido estão Boulos e Russomanno, que também tem discurso direcionado a camadas socialmente mais baixas da população. “Hoje você tem parte do PT que vota no Russomanno e outra no Boulos. As pessoas se confundem e acham que o Boulos é do PT, que o Russomanno é do PT”, disse.

Sua leitura é de que o eleitorado paulistano ainda se divide entre os 30% progressistas, 30% de direita e 30% que votam segundo a conjuntura. Essas fatias, diz, estarão mais atentas ao horário eleitoral deste ano por causa da pandemia. “Acho que a população vai prestar mais atenção na propaganda. Vou aparecer bastante, falar das coisas que eu fiz. Eu tenho que mostrar que eu tenho experiência. Não sou conhecido mesmo tendo sido candidato ao Senado com 2,1 milhões de votos no País e, em São Paulo, 770 mil votos.”

Sobre eventual segundo turno com Russomanno, Tatto não descartou nenhum tipo de apoio ao ser questionado sobre a possibilidade de uma aliança com o PSDB, como ocorreu na eleição estadual de 1994 com o apoio do PT ao então candidato Mario Covas. “No primeiro turno você escolhe aquele que é o melhor. No segundo você vota no menos pior, no menos ruim. É o que me faltava eu ir para o segundo turno e ficar recusando apoio”, disse, reforçando e desclassificando Russomanno como representante do “fascismo”.