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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Nosso processo produtivo é seguro e auditado por 150 países’, diz setor avícola

Alexandra Martins

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Entidades do setor avícola brasileiro, como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Associação Catarinense de Avicultura (Acave) e o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados de Santa Catarina (Sindicave) informaram nesta quinta, 13, que analisam a informação de que uma amostra de asa de frango congelada importada do Brasil para a cidade de Shenzhen, no sul da China, testou positivo para o coronavírus. De acordo com Jorge Luiz de Lima, gerente executivo da Acave e do Sindicarne, é preciso aguardar a veracidade da informação, uma vez que a comunidade científica não tem qualquer informação de que o novo patógeno possa contaminar alimentos. “O processo produtivo no Brasil como um todo, relativo a proteína animal, se sustenta em bases bastante rígidas. Exportamos para mais de 150 países e somos auditados por todos eles, diz.

Ele acrescenta que é preciso verificar, em caso de a informação ser verdadeira, se a eventual contaminação “está no produto, na embalagem, se foi no local, no transporte. O que eu posso atestar é que nosso processo produtivo não permite que nós possamos fazer uma alegação de que a contaminação tenha sido feita em ambiente interno de empresa. As empresas, independente do momento de coronavírus, já passavam por um processo de higienização da planta muito rígido. Isso nos dá segurança para afirmar que o processo de sanidade dentro dos frigoríficos é inquestionável. Precisamos entender com as autoridades”.

O representante do setor reforça as medidas tomadas nos frigoríficos contra a pandemia, como higienizações nas plantas de produção nos três turnos de trabalho, uso de máscaras e protetores de acrílico, medição de temperatura, distanciamento em ônibus e refeitórios e afastamento de empregados de grupo de risco.

Luiz de Lima também destaca que a interlocução entre os ministérios de Agricultura da China e Brasil é “excelente”. “O governo chinês tem compromisso muito forte com o governo brasileiro. Estamos falando de exportação de 700 milhões de toneladas de carne de frango de Santa Catarina para a China desde o ano passado até agora, totalizando R$ 2 bilhões”, informa.

Leia íntegra da nota da ABPA;

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informa que o setor produtivo está analisando as informações de possível detecção de TRAÇOS DE VÍRUS em EMBALAGEM de produto de origem brasileira, feita por autoridades municipais de Shenzen, na China.

Ainda não está claro em que momento houve a eventual contaminação da embalagem, e se ocorreu durante o processo de transporte de exportação. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil está em contato para esclarecimentos com o GACC (autoridade sanitária oficial da China), que fará a análise final da situação.

A ABPA reitera que não há evidências científicas de que a carne seja transmissora do vírus, conforme ressaltam a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Ao mesmo tempo, o setor exportador brasileiro reafirma que todas as medidas para proteção dos trabalhadores e a garantia da inocuidade dos produtos foram adotadas e aprimoradas ao longo dos últimos meses, desde o início da pandemia global.