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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Notas de rodapé sobre o debate em São Paulo

Alexandra Martins

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O brasileiro reclamou da baixaria entre Donald Trump e Joe Biden no debate da CNN desta semana, mas não poderia reclamar de tédio com as dramatizações dos candidatos à Prefeitura de São Paulo durante o encontro realizado pela Band na noite de quinta, 1. Nada superaria o capacete high tech de Joice Hasselmann (PSL). Posto isso, passemos às demais notas de rodapé.

Chamou atenção a sugestão para que os eleitores consultassem o Google para conhecer a verdade. A deputada assim o fez ao questionar Celso Russomanno (Republicanos) sobre a citação de seu apelido “Itacaré” na Lava Jato. Guilherme Boulos (PSOL) foi pelo mesmo caminho, pedindo que as pessoas jogassem no Google as palavras Márcio França e feminicídio em referência à declaração do ex-vice-governador de São Paulo de que a Polícia Militar não deveria se encarregar de brigas domésticas diante de outros casos de violência, em 2018.

Orlando Silva (PCdoB) triunfou ao dizer que até parece que o candidato do Patriota, Arthur do Val, tem cara de trabalhador. “Nunca bateu um prego numa barra de sabão”, disparou o ex-ministro ao jovem candidato, que repetia o bordão com espuma na boca: “Estou de saco cheio” de tudo, inclusive da política. Também rebateu bem à propaganda de Russomanno sobre a “amizade” com Jair Bolsonaro. O “comunista”, como fez questão de registrar Joice, rebateu a ideia de que a “amizade” seria capaz de resolver o problema de caixa de São Paulo. “Fala como se fosse conversa de amigo”.

Filipe Sabará (Novo) agradecendo a seu partido a oportunidade de ser candidato tampouco teria preço. Como você tem lido aqui no BRP, parte do Novo o quer longe. Aliás, ele pontuou ser defensor de um tal “liberalismo à direita”.

Andrea Matarazzo (PSD) pareceu ter encarnado Geraldo Alckmin. Seu sotaque e tom de fala são parecidos aos do ex-governador, inclusive nas pronúncias da letra R. Se fechássemos os olhos, se ouviria o tucano. Em duelo com Bruno Covas (PSDB), soltou uma polêmica fala digna de viralização sobre um dos temas mais debatidos pelos candidatos: “O transporte público em São Paulo tem qualidade cubana com custo alemão”.

Ficou sem explicação o gestual de Marina Helou (Rede) muito direcionado às redes sociais, e não ao telespectador.

Jilmar Tatto (PT), muito ocultado no debate, teve seu momento forte ao lembrar da tal “ração humana” de João Doria ao prefeito, que devolveu com um esculacho fora do figurino polido até então usado pelo tucano, dizendo em tom raivoso que o petista poderia dar um “carguinho” para Dilma Rousseff caso seja eleito.

Por outro lado, o telespectador quase chorou quando Russomanno relatou que o presidente Jair Bolsonaro pegou no seu braço, no leito de um hospital, para dizer: (respira fundo) “cuide de São Paulo”. Afinal, como ele repetiu, só ele saberia “o que é gente“.

Em um ponto quase despercebido, coube a Márcio França (PSB) tirar o corpo fora sobre a paternidade de Ricardo Salles na política. Disse que nem sabia qual era o partido do ministro do Meio Ambiente. Ainda sobre o ex-prefeito de São Vicente (SP), Boulos considerou “lamentável” o flerte dele com Bolsonaro.

Cabe espaço para falar da máscara transparente de Joice?

 

 

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