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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Nova sigla bolsonarista esbarraria em falta de recursos

Vera Magalhães

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Jair Bolsonaro pode até desejar criar uma sigla só sua, do zero, em que caibam os filhos e os poucos aliados de total confiança. Mas o projeto esbarra em algumas dificuldades de cunho prático, além de político.

Todo o processo de criação de partido é burocrático, lento e exige capilaridade nacional. Até aí tudo bem: a rede digital bolsonarista pode ser acionada para a tarefa de coletar assinaturas na quantidade e no número de Estados da federação previstos pela legislação, processo que depois passa pela conferência precária da Justiça Eleitoral.

Mas o principal entrave ao surgimento do Partido da Defesa Nacional, ou como quer que se chame a agremiação bolsonarista, passa pelo dinheiro. No ano que vem acontecem eleições municipais, e o conflagrado PSL é uma máquina de quase R$ 150 milhões anuais de fundo partidário, e um fundo eleitoral que pode superar os R$ 500 milhões, de acordo com cálculos dos políticos.

Abrir mão desse cofre poderoso, que será o principal motor (legal, ao menos) das eleições em tempos de extinção do financiamento empresarial de campanhas parece algo ilusório. O mais provável é que o presidente e os filhos usem sua estrutura de advogados eleitorais para tentar o controle do rentável PSL — o que também não será uma batalha simples, porque Luciano Bivar é o “dono” da sigla desde sempre e tem aliados nos principais postos da estrutura partidária.