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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Novo ministro para tirar Flávio Bolsonaro das manchetes

Vera Magalhães

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A nomeação, rápida para os padrões recentes de Jair Bolsonaro, de Carlos Alberto Decotelli, um técnico discreto, não ligado à ala ideológica do governo, primeiro negro no primeiro escalão do governo e com aval e afinidade com a ala militar tem o objetivo, além de tentar reduzir o nível de atritos institucionais, tirar o foco de Flávio Bolsonaro num dia especialmente delicado do andamento do caso Fabrício Queiroz.

A nomeação do novo ministro da Educação, me disse um integrante do governo, é uma “boa notícia”, capaz de tirar a vitória controversa que o filho 01 do presidente obteve no Tribunal de Justiça do Rio, se valendo de uma interpretação bastante polêmica do instituto do foro privilegiado — contra o qual, no passado, Bolsonaro e os filhos viviam vociferando.

Como todas as jogadas ensaiadas de Bolsonaro, que tem uma visão muito estreita do alcance das crises, essa tem pavio curto. Certamente o tapetão judicial de Flávio ainda tende a dominar as manchetes e as análises de especialistas, integrantes de tribunais superiores e advogados nos telejornais e nos jornais de sexta-feira.

O novo ministro, por sua vez, chega cercado de desconfiança dos olavistas — o que por si só pode ser um elemento para tornar sua vida um inferno — e com a missão de começar do zero uma gestão absolutamente caótica no MEC. É inequívoco que, por comparação, seu currículo em relação ao de Weintraub aponta para uma potencial melhora na gestão da pasta, mas isso só vai se efetivar se o presidente der a ele autonomia para estabelecer uma interlocução republicana com Estados e municípios, conduzir as diretrizes do MEC sem perseguições ideológicas nem sanha revanchista e se empenhar para definir a nova forma de financiamento da educação básica e o protocolo de retomada das aulas no segundo semestre, além do calendário do Enem. Não é pouca coisa.