Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Novo presidente da Fundação Palmares diz que não há racismo no Brasil

Equipe BR Político

O novo presidente da Fundação Cultural Palmares, órgão responsável por fomentar a cultura afro-brasileira sob o guarda-chuva da Secretaria da Cultura, Sérgio Nascimento de Camargo, já afirmou que não existe “racismo real” no Brasil e que “negro de esquerda é burro, é escravo” em publicações, segundo o site Congresso em Foco. A troca no comando da fundação, que tira o advogado Vanderlei Lourenço do cargo, faz parte de uma série de mudanças de cargo feitas a pedido do secretário especial Roberto Alvim em órgãos sob comando da pasta da Cultura publicadas no Diário Oficial da União desta quarta-feira, 27. 

O jornalista e militante de direita nomeado para presidir a instituição defende o fim do feriado da Consciência Negra. De acordo com ele, o feriado causa prejuízos econômicos e homenageia “um falso herói dos negros”, como se refere ao Zumbi dos Palmares, que deu nome à instituição que presidirá. O jornalista afirmou também que o feriado foi feito sob medida para o “preto babaca” que é um “idiota útil a serviço da pauta ideológica progressista”, de acordo com o Globo. Sérgio Camargo fazia publicações sobre o assunto frequentemente no Twitter, onde teve o perfil bloqueado.

Em 15 de setembro, Camargo afirmou que no Brasil existe um racismo “nutella”, diferente dos Estados Unidos, onde existiria um racismo “real” e em 27 de agosto disse que a escravidão foi “terrível, mas benéfica para os descendentes”, pois negros viveriam em condições melhores no Brasil do que na África.

O secretário da Cultura fez outras oito mudanças de cargo, entre elas no comando da Secretaria do Audiovisual, da Secretaria da Diversidade Cultural e da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura órgão responsável pela aplicação da Lei Rouanet. 

A Secretaria Especial de Cultura, criada para substituir o Ministério da Cultura, extinto no início do mandato do presidente Jair Bolsonaro, foi transferida em 7 de novembro do Ministério da Cidadania para o Ministério do Turismo. Na ocasião o então secretário Ricardo Braga foi exonerado e Roberto Alvim, alinhado com o perfil ideológico do presidente, assumiu a pasta. (Roberta Vassallo, especial para o BRP)

Tudo o que sabemos sobre:

racismosecretaria especial de cultura