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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Número de mortes de índios do governo é quase 3 vezes menor que de entidades

Equipe BR Político

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Enquanto o governo federal divulga que há 82 mortes de índios em decorrência do novo coronavírus no Brasil, a entidade de organizações indígenas e indigenista, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), informa que até o dia 6 eram 236 óbitos dessa população. A discrepância se dá especialmente pelo fato de o governo não contabilizar os casos nem os mortes de covid-19 entre indígenas que vivem em contexto urbano, contrariando recomendações do Ministério Público Federal e as reivindicações de organizações indígenas que defendem que todos os indígenas, residentes em terras tradicionais ou em espaços urbanos, devem ser atendidos pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

Índios no espelho d'água do Ministério da Justiça

Índios no espelho d’água do Ministério da Justiça Foto: Dida Sampaio/Estadão

A diferença se dá também no número de casos confirmados de covid-19. Para a Apib, são 2.390 índios contaminados, enquanto para o Ministério da Saúde, 1.170, segundo dados divulgados na terça, 9.

Dos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), os que mais preocupam o governo, segundo o secretário especial da Sesai, Robson Santos, são o Alto Rio Solimões (AM), Alto do Rio Negro (AM), Vale do Javari (AM) – este último abriga a maior quantidade de indígenas isolados e registrou 16 casos de contaminações. O Alto Rio Solimões é dono dos maiores números de infecções e mortes entre os distritos sanitários do País. Da população de 70,9 mil pessoas, 444 foram infectadas e 23 morreram, diz o governo federal.

Para o Conselho Missionário Indigenista (Cimi), “como a Sesai não dá mais detalhes sobre a identidade, a idade, o gênero ou o povo dos indígenas que registra em seus dados, é impossível saber se os números das contagens indígenas incluem todos os casos registrados pela Sesai. Para evitar possíveis duplicações, optamos por manter as contagens independentes, sem somar números de fontes diferentes.

Também fazem contagens independentes de casos de óbitos e infecções indígenas a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a Rede de Monitoramento de Direitos Indígenas em Pernambuco (Remdipe), a Comissão Guarani Yvyrupa e outras organizações indígenas que compõem a Apib”.

 

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