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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

NYT: Denúncia contra Glenn Greenwald é ‘ataque à imprensa livre’

Equipe BR Político

O jornal americano The New York Times, um dos mais influentes do mundo, publicou na quinta-feira, 21, um artigo em que considera a denúncia feita pelo MPF contra o jornalista Glenn Greenwald no caso da Vaza Jato como ataque à imprensa e ameaça ao Estado de Direito. “É um cada vez mais familiar caso de: atire no mensageiro e ignore a mensagem”, diz o texto assinado pelo conselho editorial do jornal. 

O jornalista Glenn Greenwald

O jornalista Glenn Greenwald Foto: Dida Sampaio/Estadão

O fundador do site The Intercept Brasil foi denunciado ontem pelo MPF por supostamente orientar os hackers que invadiram os celulares de autoridades e forneceram as mensagens ao site. No relatório final da investigação sobre o hackeamento, a Polícia Federal havia considerado que Glenn manteve “uma postura cuidadosa e distante em relação à execução das invasões”. Juristas ouvidos pela imprensa também opinam que nos áudios usados como prova da denúncia do MPF não há indícios de ilegalidade cometida pelo jornalista.

Segundo o artigo do NYT, ataques à imprensa livre e crítica tornaram-se um pilar da “nova geração de líderes iliberais no Brasil, assim como nos Estados Unidos e outros lugares do mundo”. Nesse contexto, “o poder do Estado é usado não contra as autoridades acusadas, mas contra o repórter”, diz o jornal.

Na última semana, relatório da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) indicou que, em 2019, Bolsonaro foi responsável por 58% dos ataques à categoria. Segundo levantamento, dos 208 ataques a veículos de comunicação e jornalistas, Bolsonaro foi responsável por 121 deles.

“Os artigos publicados por Greenwald fizeram o que a imprensa livre deve fazer: revelaram um lado doloroso daqueles no poder. Furar a imagem heroica de Moro foi, obviamente, um choque para os brasileiros, e danosa a Bolsonaro, mas pedir que os defensores da lei sejam escrupulosos na fidelidade a ela é essencial para a democracia. Atacar os portadores dessa mensagem é um sério desserviço e uma ameaça perigosa ao Estado de Direito”, conclui a análise.