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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

O aparelhamento, segundo o líder do governo

Vera Magalhães

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Depois de passar a semana na corda bamba, sob ameaça de ser substituído em suas funções por um nome do Centrão, o deputado Major Vitor Hugo (GO), líder do governo na Câmara, terminou a sexta-feira pregando “paciência”. Não se tratava apenas de uma autoajuda: a mensagem era uma reação ao banimento de militantes bolsonaristas das redes sociais pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Na postagem, em sua conta no Twitter, Vitor Hugo evidencia algo que muitos analistas já pontuaram: a atual fase “moderada” de Jair Bolsonaro é apenas um recuo estratégico do confronto que ele tentou no primeiro semestre e que foi mal sucedido. O líder do governo deixa claro que há um cálculo de aparelhar instituições que podem exercer o papel de contenção do presidente como forma de se fortalecer politicamente.

Após elencar os postos que Bolsonaro poderá indicar em menos de um ano no Judiciário e no TCU (que é um órgão ligado ao Congresso, apesar de se chamar tribunal), Vitor Hugo tranquiliza a militância: “A vitória de nossas pautas virá”.

As indicações que Bolsonaro fará para essas cortes têm sido objeto de cobiça por parte de vários grupos. A cadeira do decano Celso de Mello no Supremo, que ficará vaga em novembro, é desejada pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, pelo presidente do STJ, Otavio Noronha, e por pelo menos dois ministros de Bolsonaro: o da Justiça, André Mendonça, e o da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Mendonça.