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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

O campeonato de Salles, Weintraub e Damares para agradar Bolsonaro

Vera Magalhães

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Bastou Jair Bolsonaro cobrar que ministros se expusessem, fossem “para o pau” e arriscassem a própria imagem para defender politicamente seu governo, uma vez que só estão no posto porque ele os nomeou, e se ele cair perderão o emprego, para muitos começarem a procurar mostrar serviço imediatamente, na própria reunião ministerial de 22 de abril.

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Educação, Abraham Weintraub

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Educação, Abraham Weintraub Foto: Dida Sampaio/Estadão

Ricardo Salles, do Meio Ambiente, fez uma explanação incentivando os colegas a aproveitarem a pandemia do novo coronavírus, que está concentrando as atenções da imprensa, do Congresso e do Judiciário, para “passar a boiada” na forma de decretos e portarias para “desregulamentar” suas áreas. Usa como exemplo medidas da própria pasta, muitas delas questionadas na Justiça, e afirma que a hora estava propícia para “canetadas”.

Damares Alves, por sua vez, cita notícias de veracidade questionável, como uma denúncia de que haveria gente querendo “contaminar de propósito” populações indígenas para acusar Bolsonaro de genocídio, ou que o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), estaria autorizando a polícia a entrar nas casas sem mandado para prender pessoas, para defender que se pegue “pesado”. Diz inclusive que projetos da sua pasta, a dos Direitos Humanos, proporiam nos próximos dias a prisão de governadores e prefeitos!

Abraham Weintraub, por sua vez, defende a prisão desse “bando de vagabundo”, e aponta para a Praça dos Três Poderes. E ainda completa: a começar pelos 11 ministros do Supremo. O ministro da Educação, aliás, é citado como modelo por Bolsonaro: os ministros deveriam se portar como ele, ainda que usando palavras mais educadas.

O campeonato de puxa-saquismo da ala ideológica do governo só ficou sem a contribuição de Ernesto Araújo, uma vez que as menções à China foram suprimidas porque — atenção! — poderiam criar um incidente diplomático com o país, o principal comprador de produtos brasileiros.