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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

O exército de 1 milhão de soldados de Guedes por R$ 300

Alexandra Martins

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Após afirmar na reunião ministerial de 22 de abril ter lido três vezes, no original, o trabalho do economista inglês John Maynard Keynes (1883-1946), um dos mais notáveis pensadores do século 20 que defendeu a intervenção do governo para resolver os problemas originados na Grande Depressão dos anos 1930, e se inspirar no exemplo de reconstrução econômica do Chile e da Alemanha nas duas guerras do século passado, o ministro Paulo Guedes teve uma ideia a acrescentar em seu pacote de recomposição da economia brasileira com recursos públicos nesta pandemia do novo coronavírus: arregimentar aí um milhão de soldados, com salário entre R$ 200 e R$ 300 para reconstruir o País, “fazendo estrada, isso e aquilo”. O recurso a ser empregado nesse “exército”, na casa de R$ 8 bilhões, não faria falta à União, diz.

  • Ele disse:

“Nós sabemos pra onde nós vamos voltar já, j á. Tá certo? E se o mundo for diferente, nós vamos ter capacidade de adaptação. Por exemplo: eu já tenho conversado com o ministro da Defesa, já conversamos algumas vezes. Quantos? Quantos? Duzentos mil, trezentos mil. Quantos jovens aprendizes nós podemos absorver nos quartéis brasileiros? Um milhão? Um milhão a duzentos reais, que é o bolsa família, trezentos reais, pro cara de manhã faz calistenia, faz é… fa… né? Aprende ci … civil. .. organização social e como é que é o? OSPB, né?”

“Organização Social e …”

  • Hamilton Mourão responde:

“Política”

  • Guedes detalha plano:

“Faz ginástica, canta o hino, bate continência. De tarde, aprende, aprende a ser um cidadão, pô! Aprende a ser um cidadão. Disciplina, usar o … usar o tempo construtivamente, pô! É … voluntário pra fazer estrada, pra fazer isso, fazer aquilo. Sabe quanto custa isso? É duzentos reais por mês, um milhão de cá, duzentos milhões, pô! Joga dez meses aí, dois bi. Isso é nada! Então, nós vamos pegar na reconstrução, nós vamos pegar um bilhão, dois bilhões e contrata um milhão de jovens aqui. A Alemanha fez isso na reconstrução. Aí você também quer fazer estrada? Precisa de três, quatro bilhões a mais. Tem um orçamento de oito. Toma aqui seus quatro bilhões. Isso não faz falta. Isso não faz falta.”

O titular da Economia diz já ter derrubado duas “torres do inimigo” nesta sua gestão em defesa da liberdade econômica: a reforma da Previdência e juros baixos. A terceira ainda não foi abatida: congelamento de salários do servidor até 2021, à espera da canetada do presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, hoje a economia brasileira se apresenta tal como “um urso hibernando”: “Consumo de energia pra quase zero, só respira, mas quando cê sai da gruta, cê sai pra comer o primeiro bicho que passar”.

  • Diante de tudo que a pasta teria feito, Guedes pede colaboração:

“Não vamos perder o rumo não. Pode dar vestimenta. Bota peruca loura, bota pe … é . .. passa batom vermelho, faz uma porção de coisa que for necessário politicamente, mas não vamo perder o rumo econômico não.”

 

 

 

 

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