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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

O futuro da Lava Jato

Equipe BR Político

Diante do resultado do julgamento do Supremo Tribunal Federal da semana passada, que entendeu que são nulas sentenças em que um réu delatado não tiver tido o direito a manifestações finais depois do delator, o futuro da Lava Jato parece em xeque. Colunistas escrevem sobre o assunto neste domingo.

No Estadão, Eliane Cantanhêde diz que a sequência de eventos dos últimos meses parece apontar que a operação que desbaratou o petrolão e derivou para outros esquemas de corrupção parece que está indo “a pique”. “A partir daí, é fazer a festa nas próximas votações: prisão após condenação em segunda instância, suspeição do então juiz Sérgio Moro, revisão ou anulação de sentenças e ações contra Lula…” Ela diz que caberá à sociedade e à história calibrar erros e acertos e firmar o papel da operação.

No Globo, Miriam Leitão mostra que há vários caminhos a partir da modulação que o STF fizer de sua decisão sobre as sentenças. Ela diz que a Lava Jato enfrenta seu principal teste, mas que há quem pense que se trata apenas de um freio de arrumação, e não de um risco de ela ser revertida. “Por outro lado, o Brasil conhece o Brasil. Todos os acusados poderosos, pegos em corrupção ou crime do colarinho branco, acabaram impunes usando filigranas jurídicas. A Justiça sempre foi seletiva no Brasil, quando chega à elite. E há neste momento, na Justiça e no governo, uma série de decisões e atos que está conduzindo ao risco de que seja abandonado o esforço de combate à corrupção.”

Na Folha, Bruno Boghossian opina que a correção de rumos da Lava Jato é um caminho sem volta, e justifica a reação da sociedade pelo trauma de uma história de impunidade que ameaça voltar. “Se o Brasil não tiver coragem de passar a Lava Jato a limpo para consertar suas arbitrariedades e estabelecer balizas claras, os esforços de combate à corrupção ficarão para sempre reféns de paixões políticas de momento, como se vê agora”, escreve.