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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

O grande nó orçamentário

Vera Magalhães

Em sua coluna nesta quinta-feira no Estadão, William Waack parte do crescimento da pressão pela revisão do teto de gastos da União para traçar o atual e complexo quadro de discussões que ameaça o compromisso, até aqui firme, da equipe do ministro Paulo Guedes com a promoção de um ajuste fiscal de longo prazo, sem ceder a tentações (políticas) do curto. Waack lembra que, com o teto, despesas obrigatórias crescem proporcionalmente todo ano, enquanto a capacidade de investimento cai. O que, num quadro de economia se recuperando lentamente, leva a desgaste político.

O ministro da Economia Paulo Guedes

O ministro da Economia Paulo Guedes. Foto: Adriano Machado/Reuters

O mesmo cobertor curto é o pano de fundo de discussões como a do pacto federativo e da reforma tributária. “Contingências políticas (como perda de popularidade) e também econômicas (dar um impulso na economia) provavelmente levarão a algum tipo de entendimento para flexibilização do teto de gastos. Pode ser simplesmente a não criminalização de quem não cumpri-lo, por exemplo. Os puristas dirão que mexer no teto de gastos é abrir a boca do inferno. Os cínicos observarão que dali sai até algum calorzinho, fora o fato de estar cheio de conhecidos”, conclui o colunista.