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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

O otimismo de Guedes resiste à realidade?

Vera Magalhães

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Paulo Guedes votou otimista das miniférias que tirou neste início de ano. Demonstração disso é a entrevista que concedeu, na chegada, ao repórter especial do Estadão, José Fucs. Ele diz que a reforma administrativa vai ao Congresso entre o fim deste mês e o início do próximo, está convicto de que o Congresso abraçou as reformas e mantém até a fé inabalável de que será possível, no futuro, convencer Jair Bolsonaro de que um imposto sobre pagamentos é uma boa ideia. Metas ambiciosas para 2020.

Acontece que algumas coisas mudaram no ambiente na virada do ano. Bolsonaro parece menos convicto do liberalismo estrito que o ministro sempre professou e ao qual disse que daria carta branca. Tanto que tem flertado com a palavra subsídio quase na mesma medida que Dilma Rousseff. O ministro conseguirá demonstrar ao presidente que retirar o benefício para fabricantes de placas fotovoltaicas nada tem a ver com “taxar o Sol”? O fará desistir de isentar templos religiosos da tarifa cheia de energia elétrica?

Quanto à administrativa, parece precipitado dar de barato que o Congresso vai abraçá-la com a mesma convicção da Previdência. O ano é eleitoral, e ninguém quer comprar mais encrenca com servidores em tempos assim, mesmo que as mudanças só valham para o futuro. Além disso, o caos do INSS neste início de ano conspira contra a ideia de que enxugar o Estado e reduzir o número de servidores será benéfico para o cidadão “pagador de impostos”. Guedes precisa resolver esse problema, que está no seu ministério tentacular, para ontem.

O ministro, como sempre, tem um diagnóstico acurado das necessidades de sua pasta para fazer a economia deslanchar. O que resta é sincronizá-lo com a disposição política do próprio governo e a do Congresso. Um fator de estresse adicional será a pressão cada vez maior do teto de gastos, desta vez se abatendo sobre Judiciário e Legislativo. Coadunar esse limite com propostas como a incorporação do 13º do Bolsa Família e a gritaria que vai haver por um reajuste real para o salário mínimo serão outras tarefas difíceis da volta dessas férias.

 

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