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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘O presidente perdeu a condição de governar’, dizem ex-ministros

Equipe BR Político

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Em um manifesto divulgado nesta segunda-feira, 18, um grupo de seis ex-ministros pede o afastamento de Jair Bolsonaro da Presidência. Segundo os signatários do documento, o chefe do Executivo “perdeu todas as condições para o exercício legítimo da Presidência da República, por sua incapacidade, vocação autoritária e pela ameaça que representa à democracia”, diz o texto.

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro Foto: Marcos Correa/PR

O documento cita a forma como o presidente vem lidando com a pandemia do novo coronavírus, a participação de Bolsonaro em atos antidemocráticos e a edição de atos em defesa de sua própria família. “Enquanto o país vive um calvário, Jair Bolsonaro insufla crises entre os Poderes. Baixa atos administrativos para inibir investigações envolvendo a sua família. Participa de manifestações pelo fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. Manipula a opinião pública, e até as Forças Armadas, propagando a ideia de um apoio incondicional dos militares como blindagem para os seus desatinos. Enfim, o presidente deixa de governar para se dedicar à exibição diária de sua triste figura, em pantomimas familiares e ensaios golpistas”, aponta o documento.

Os signatários do texto são fundadores e representantes da Comissão Arns, um grupo de personalidades engajadas na defesa de direitos humanos. “Talvez imune ao vírus, mas com toda certeza imune ao sofrimento humano, o presidente da República, Jair Bolsonaro, tem manifestado notória falta de preocupação com os brasileiros”, diz trecho do texto.

Sem citar diretamente a possibilidade de impeachment, o documento termina afirmando que “a Comissão Arns de Defesa dos Direitos Humanos entende que as forças democráticas devem buscar, com urgência, caminhos para que isso se faça dentro do Estado de Direito e em obediência à Constituição”.

Veja quem assina o manifesto:

José Carlos Dias, presidente da Comissão Arns de Defesa dos Direitos Humanos e ex-ministro da Justiça (governo FHC), Claudia Costin, ex-ministra de Administração e Reforma (governo FHC), José Gregori, ex-ministro da Justiça (governo FHC), Luiz Carlos Bresser-Pereira, ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), ministro da Administração e Reforma do Estado e ministro da Ciência e Tecnologia (governos FHC), Paulo Sérgio Pinheiro, ex-ministro da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos (governo FHC), Paulo Vannuchi, ex-ministro de Direitos Humanos (governo Lula).