Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

O que a Austrália ensina ao mundo e ao Brasil

Vera Magalhães

Os incêndios na Austrália servem como outro recado eloquente do início de 2020 para o mundo a respeito de como escolhas de governos e a insistência em contrariar consensos científicos cada vez mais terão impacto imediato sobre a vida no planeta.

O governo australiano ignorou –como fazem outros países, desde potências como os Estados Unidos até satélites como o Brasil, que faz eco ao discurso negacionista em relação às mudanças climáticas– sucessivos alertas sobre o risco de incêndios de proporções nunca antes vistas.

Num relatório de 2008, o economista australiano Ross Garnault, uma das maiores autoridades do país em questões climáticas, já alertava que as temporadas de incêndios começariam antes em 2020, seriam mais duradouras e mais intensas. Nada foi feito para prevenir os estragos diante deste alerta.

As cenas estarrecedoras de uma Austrália vermelha, sob fogo cerrado, com milhões de animais mortos, todo o ecossistema seriamente comprometido, pessoas desabrigadas, desamparadas, mortos pelo País são a maior demonstração planetária, em rede, e incontestável pela sua veemência, de que as mudanças climáticas estão em curso numa velocidade muito superior à capacidade de reação das Nações e à vontade política de seus governantes.

No Brasil, o primeiro ano de Jair Bolsonaro foi marcado por uma política de afronta ao meio ambiente, no lugar de uma que busque sua preservação. Que as imagens de um País muito mais desenvolvido que o nosso, impotente diante da força da natureza, sirvam de alerta para o presidente e seu ministro, Ricardo Salles, de que se contrapor de forma diletante, ideológica e obscurantista às constatações da Ciência pode trazer um custo humano, social, econômico e, também, político (quem sabe assim se convencem) imensos a um governo.