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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

O que dizem os últimos estudos sobre a eficácia da cloroquina

Equipe BR Político

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Na insistência de advogar pelo tratamento do coronavírus com cloroquina, o presidente Jair Bolsonaro lançou a última gota para mais um ministro da Saúde deixar o cargo durante a pandemia. Bolsonaro segue convicto de que o medicamento usado no tratamento de malária será a solução que o permitirá embasar seus clamores por “abrir tudo” enquanto a curva de contaminação pelo coronavírus só sobe no País. Atualmente, a recomendação da pasta é a utilização apenas em casos graves e de internação, mas o presidente defende uso irrestrito. O Conselho Federal de Medicina, por outro lado, publicou nota técnica permitindo a prescrição do medicamento mesmo em casos leves da doença, mas com as ressalvas dos riscos.

Veja abaixo o que dizem os principais estudos e pesquisas sobre a substância.

Estudos para testar a eficácia da cloroquina no tratamento da covid-19 não conseguiram comprovar benefício na cura da doença até agora

Estudos para testar a eficácia da cloroquina no tratamento da covid-19 não conseguiram comprovar benefício na cura da doença até agora Foto: Lindsey Wasson/Reuters

Um dos principais estudos até agora feitos sobre a efetividade da hidroxicloroquina foi publicado na segunda-feira, 11, no Journal of the American Medical Association. Realizado por pesquisadores da Universidade de Albany, no estado de Nova York, com 1.438 pacientes infectados com coronavírus em 25 hospitais do estado, não encontrou relação entre o uso do medicamento e a redução da mortalidade pela doença. 

Em dois estudos publicados na quinta-feira, 14, na conceituada revista científica britânica The BMJ, também não foram encontradas evidências de benefícios para pacientes com o novo coronavírus, inclusive para casos leves e moderados. Uma das pesquisas ocorreu na China com 150 pacientes com coronavírus dos quais apenas dois eram casos graves, entre 11 e 29 de fevereiro. Segundo os autores, é o primeiro estudo randomizado e com grupo de controle a analisar o uso de hidroxicloroquina contra a covid-19. Estudo anteriores foram considerados “abertos”, ou seja, não utilizaram um grupo de controle de pessoas que não sabem se estão tomando o remédio ou um placebo. A outra, realizada na França com pacientes que necessitavam do uso de máscaras de oxigênio, também não encontrou diferenças positivas no uso do remédio e não apoia o uso em pacientes internados que exigem oxigênio.

Além da ineficácia no tratamento, há estudos apontando para os riscos. Uma pesquisa feita no Brasil e publicada no Journal of the American Medical Association no fim de abril encontrou risco no uso de doses altas da cloroquina em pacientes graves do coronavírus. Conduzido pela Fiocruz, Universidade do Estado do Amazonas, Universidade Federal do Amazonas e Faculdade de Medicina da USP, o estudo foi defendido no editorial da publicação americana e contraindicou doses altas do medicamento a pacientes críticos. / Roberta Vassallo

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