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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

O que o PT fará no segundo turno?

Vera Magalhães

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A se confirmarem as últimas pesquisas eleitorais, o PT estará fora da disputa pelo segundo turno das eleições municipais em quase todas as capitais do País. As exceções são Vitória (ES), Recife (PE) e, talvez, Rio de Janeiro (RJ), dado o crescimento de Benedita da Silva na reta final.

Candidata do PT em Recife, Marília Arraes. Foto: Reprodução/Facebook

Em nenhuma das três as projeções de segundo turno indicam vantagem do candidato petista.

Outra capital em que o partido integrou a frente que lidera a disputa é Porto Alegre (RS), onde empenhou um raro apoio a uma candidata de outra legenda, Manuela Dávila, do PCdoB, vice na chapa de Fernando Haddad à Presidência em 2018.

No segundo turno ficará claro se o partido partirá para uma política de alianças já buscando um arco que possa se repetir em 2022, ou se vai continuar condicionando apoios a um alinhamento com as teses do partido de que o impeachment de Dilma Rousseff foi um golpe, assim como a condenação de Lula em dois processos em duas instâncias.

O insucesso do PT nas urnas desde 2016 acabou por tornar menos relevante o apoio da legenda e de Lula aos candidatos da esquerda que vão ao segundo turno. Guilherme Boulos (PSOL), por exemplo, caso vá mesmo à segunda fase da disputa em São Paulo, terá de ponderar prós e contras de ter o PT em seu palanque uma vez que:

  • o partido terá colhido uma derrota histórica na capital que já governou em três oportunidades;
  • a votação do candidato psolista tem também grande peso de uma classe média alta escolarizada no centro expandido, que não necessariamente é petista
  • a estratégia de Bruno Covas muito provavelmente passará por pintar Boulos como um radical, algo que ele vem tentando mitigar com uma campanha leve, bem humorada nas redes sociais e calcada em mensagens como liberdade e democracia, para que a presença de Lula e do PT no palanque, com a esperada pergunta a respeito do que acha da situação judicial do ex-presidente, não ajudará.

Diante de quadros como esse, que se repetirão em outras cidades, o apoio do PT pode se tornar antes um estorvo que um ativo. Em Fortaleza, por exemplo, diante da teimosia petista em lançar a candidatura de Luizianne Lins, a despeito da aliança sólida entre os Ferreira Gomes e o PT no Estado, pode dificultar um ingresso do partido como um todo na campanha de Sarto (PDT). É esperado que o governador Camilo Santana seja um apoiador de primeira hora tão logo sejam abertas as urnas, mas um acerto entre Lula, o PT nacional e Cid e Ciro Gomes ainda é uma incógnita.

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