Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

O risco de o voto antecipado atrasar o anúncio da vitória nos EUA

Marlos Ápyus

Exclusivo para assinantes

A votação que fez de Donald Trump presidente dos Estados Unidos se encerrou em 8 de novembro de 2016. Na madrugada seguinte, Hillary Clinton telefonou ao vencedor reconhecendo a derrota. Agora, em 2020, o prazo se encerra um pouco antes, já no terceiro dia do mês. A expectativa, no entanto, é de que o mundo acorde na próxima quarta-feira, dia 4, sob um perigoso clima de indecisão.

Em 2016, a apuração contabilizou um total de 136,7 milhões de votos. Agora, em 2020, faltando três dias para o dia oficial de votação, mais de 90 milhões de eleitores já tinham votado pelo correio ou por urnas espalhadas pelas cidades. E é aqui que a trama se adensa.

Já se sabe, por exemplo, que o partido Republicano instalou mais de 50 urnas falsas na Califórnia. E justo em pontos frequentados por conservadores, o que colocaria em dúvida o resultado da apuração.

O voto pelo correio, por sua vez, só é contabilizado caso entregue em tempo hábil. Em alguns estados, o envio na véspera pode ser tarde demais. É também comum que as remessas sejam contabilizadas apenas em um segundo momento.

Como a antecipação do voto foi estimulada pela campanha democrata, e desencorajada pela republicana, há a expectativa de que os primeiros números apresentem Trump em situação bem mais favorável do que as retratadas nas pesquisas. Isso há de permitir que governistas não só tratem os levantamentos como manipulados, mas também uma natural virada de Biden como fraude.

Segundo estimativas do FiveThirtyEight, o resultado da Flórida deve vir em poucas horas. Arizona e Carolina do Norte também avançarão rapidamente. Mas uma disputa acirrada pode alongar a apuração por dias. De tal forma que não seria estranho a semana se encerrar antes mesmo de qualquer candidato atingir os 270 votos necessários para a vitória.

Pelos cálculos de Christopher Garman, diretor do Eurasia Group, a definição do vencedor pode consumir até dez dias de apuração, o que elevaria ainda mais a tensão de um país para lá de polarizado. Mas a expectativa é de que ocorra em menos tempo. Se possível, com uma larga vantagem em benefício de Biden, o que não impediria Trump de se fazer de vítima, mas desestimularia o partido republicano a endossar as iniciativas mais desesperadas do presidente.

Leia reportagem completa em nosso relatório semanal Fique de Olho, divulgado nesta manhã de segunda, 2.

Tudo o que sabemos sobre:

EUAVotoeleição