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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

O time de Guedes contra o ‘PAC do Marinho’

Vera Magalhães

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Paulo Guedes, como dissemos no nosso relatório BR Político Fique de Olhoestabeleceu uma meta para se manter à frente do Ministério da Economia: obter de Jair Bolsonaro o compromisso de que caberia a ele, sem concorrência, a definição da política econômica. O ministro quer, de qualquer forma, tornar letra morta o que ele chama de “PAC do Marinho”, o plano de infra-estrutura calculado em mais de R$ 200 bilhões e anunciado na semana passada de improviso e sem sua presença.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e o presidente Jair Bolsonaro

O ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e o presidente Jair Bolsonaro Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Antes de reemergir do silêncio ao lado de Jair Bolsonaro nesta segunda-feira ele procurou ministros que considerava importantes para mostrar a eles que a proposta de investimentos lançada antes era megalômana e irrealizável. Convenceu os militares do Palácio do Planalto, Braga Netto (Casa Civil) à frente.

Para isso contou com o parecer técnico do titular da pasta, Tarcísio Gomes de Freitas, que fez ver aos generais e ao próprio Bolsonaro que os ministérios não têm capacidade de execução para as cifras anunciadas, ainda mais voltando da recessão esperada com a pandemia do novo coronavírus.

O “time” de Guedes conta ainda com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e com a titular da Agricultura, Tereza Cristina, a cuja tentativa de fritura o ministro da Economia se contrapôs, pois vê na tentativa de trocá-la por Nabhan Garcia mais um passo no sentido do populismo fiscal e econômico com o qual não vai aceitar compactuar.

No fim de semana, aliados do ministro diziam que as sinalizações de Bolsonaro seriam fundamentais para definir se Guedes ficaria no time. Com a declaração do presidente logo nas primeiras horas da segunda-feira de que quem manda é ele, esses aliados acreditam que o ministro ganhou aval para sufocar a tentativa de subverter a política econômica que vinha sendo liderada por Marinho. Se isso será permanente ou sujeito às oscilações de diretrizes de Bolsonaro, só os próximos dias dirão.