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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Odebrecht: propina desde os anos 80

Equipe BR Político

Terceiro entrevistado da série do jornal O Globo batizada de Década de Rupturas, Marcelo Odebrecht disse que a empresa de sua família pagou propina a políticos e governos desde os anos 1980. Ele reconhece uma cultura antiga e arraigada de tolerância com a corrupção. Questionado sobre se o caixa dois era necessário para fechar contratos, foi franco: “Se eu disser que era necessário, estaria mentindo. Havia empresas que corretamente não aceitavam fazer. Nós, porém, sempre fomos tolerantes com o caixa dois. E não faltavam motivos para justificá-lo. Seja porque o político tinha uma referência de orçamento oficial de campanha que não queria ultrapassar, seja porque o político não queria aparecer recebendo muito dinheiro de uma empresa com interesses na região, ou cujos projetos ele defendia”.

Ele acabou contrariando a tese do presidente do STF, Dias Toffoli, de que a Lava Jato quebrou as empresas. “É fácil dizer que o que quebrou a Odebrecht foi a Lava-Jato. Sim, a Lava-Jato foi o gatilho para nossa derrocada, mas a Odebrecht poderia ter saído dessa crise menor, mas mais bem preparada para um novo ciclo de crescimento sobre bases até mais sustentáveis. Só que nós não soubemos conduzir o processo da Lava-Jato. A Odebrecht quebrou por manipulações internas, não apenas pela Lava-Jato.”

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