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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Araújo e Olavo massacrados pela imprensa internacional

Equipe BR Político

Falas do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do escritor Olavo de Carvalho, consultor ideológico do clã Bolsonaro, repercutiram na imprensa internacional nesta semana. Embora os temas dos dois discursos sejam bastante distintos, as reações nos veículos foram similares.

O escritor Olavo de Carvalho, figura próxima ao presidente Bolsonaro, e o ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo

O escritor Olavo de Carvalho e o ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo. Fotos: Reprodução, Pete Marovich/EFE

No jornal britânico The Guardian, a afirmação de Carvalho de que o filósofo da Escola de Frankfurt Theodor Adorno era o responsável por escrever todas as letras dos Beatles, para fins de divulgação do marxismo cultural, virou matéria carregada de sarcasmo.

De título “Adorno era o quinto Beatle?”, a reportagem relembra o vídeo em que o “guru” disse que os integrantes da banda eram “semi-alfabetizados em música, mal sabiam tocar guitarra” e frisa que o frankfurtiano” desprezava os Beatles e tudo o que eles representavam”.

A matéria finaliza afirmando que, embora “boba”, a análise de Carvalho faz parte de “técnica discursiva tóxica”. “Olavo é pro Brasil o que seu amigo Steve Bannon era pra Trump”, compara a influência e estilo do escritor com o estrategista de campanha do presidente americano.

Já o colunista do Washington Post Ishaan Tharoor comentou, em seu Twitter, o discurso do chanceler brasileiro sobre mudanças climáticas realizado na Heritage Foundation, em Washington. Na palestra, o ministro criticou o que chamou de “climatismo” e afirmou que há um “alarmismo climático”.

Apesar do tema de sua fala nada ter a ver com o vídeo de Carvalho, a referência crítica a filósofos da Escola de Frankfurt – e, principalmente, a ausência de dados que justificassem as citações – estavam lá.

Araújo também mencionou Antonio Gramsci e Bertold Brecht, falou de stalinismo e religião. “Não sabemos se ele alguma vez leu sobre teorias críticas neomarxistas além do que está escrito na Wikipedia”, publicou o jornalista americano. Com menos sarcasmo, Tharoor reagiu de forma similar à matéria do Guardian: disse que era um discurso “um tanto incoerente” e “fascinantemente ideológico para um chanceler no exterior”.

 

 

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