Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

ONG recordista só em repasses refederais

Equipe BR Político

A reportagem do Estadão esteve na terra indígena de Dourados (MS), a 230 km de Campo Grande, para verificar as denúncias de malversação da verba repassada pelo governo federal à ONG Missão Evangélica Caiuá, controlada pela Igreja Presbiteriana do Brasil, destinada ao atendimento médico dos cerca de 17 mil índios das etnias terena, kaiowá e guarani que vivem naquela região. “No meu caso, o resultado ainda veio errado, pois fiz exame da coluna e veio como gordura no fígado”, disse a kaiowá Maurícia Fernandes, de 67 anos. A ONG é recordista em repasses federais por meio de convênios nos seis primeiros meses do governo Jair Bolsonaro, superando Estados e municípios nas chamadas transferências voluntárias de dinheiro.

Dados do portal Transferências Abertas, alimentado pelo governo, mostram que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, assinou, em janeiro deste ano, nove convênios no valor total de R$ 262 milhões com a ONG controlada pela igreja, quantia que representa quase metade dos R$ 603 milhões em convênios assinados por Bolsonaro neste primeiro semestre. Nos últimos cinco anos, durante os governos Dilma Rousseff e Michel Temer, a entidade recebeu R$ 2,1 bilhões. O próprio Mandetta disse que a ONG recebia o maior volume de recursos e tinha os piores índices de atendimento da saúde indígena, que custa R$ 1,4 bilhão ao ano. Em resposta, a pasta afirmou que assinou os convênios com a Missão Evangélica Caiuá neste ano por orientação do Ministério Público para evitar a interrupção dos serviços de saúde nas aldeias indígenas, mas que “avalia que a assistência indígena precisa ser reformulada para qualificar esse atendimento”.