Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

ONGs temem perdas comerciais após discurso de Bolsonaro

Equipe BR Político

Após o presidente Jair Bolsonaro adotar um tom nada conciliatório no discurso de abertura da 74ª Assembleia-Geral da ONU, ONGs do meio ambiente temem consequências comerciais negativas. Em seus 31 minutos de fala, o presidente voltou à sua tese de que o desmatamento e as queimadas na Amazônia estão sob controle, e criticou o que classificou como sensacionalismo da mídia nacional e internacional sobre a questão.

O presidente da República, Jair Bolsonaro, discursa na abertura da 74ª Assembleia-Geral da ONU

O presidente da República, Jair Bolsonaro, discursa na abertura da 74ª Assembleia-Geral da ONU. Foto: Reprodução/ONU

Em vídeo publicado no Twitter, Carlos Rittl, secretário-executivo da ONG Observatório do Clima, relembrou que diversos acordos comerciais importantes citados por Bolsonaro em seu discurso – como o do Mercosul com a União Europeia – exigem o compromisso dos países com o Acordo de Paris e com metas de desenvolvimento sustentável. Para Rittl, o chefe de Estado brasileiro quis dar a impressão de que as críticas à sua política ambiental não têm fundamento. “Ele não conseguiu convencer ninguém”.

“É importante dizer que esse não é o tom que a gente estava vendo aqui, em Nova York, tanto em eventos que reuniram empresários, sociedade civil e povos indígenas”, completou Brenda Brito, pesquisadora associada do instituto de pesquisa Imazon. “Infelizmente, é um discurso que não combina com a imagem que esses grupos estão querendo construir do Brasil, um Brasil que realmente quer se importar com a sustentabilidade”.

A ONG WWF-Brasil também emitiu uma nota sobre o discurso do presidente, na qual destaca a “preocupação internacional e dos mercados sobre a capacidade do Brasil de proteger a Amazônia”. “Em seu discurso, Bolsonaro não demonstrou nenhuma preocupação com a questão ambiental ou climática, não mencionou o Acordo de Paris, reiterou que não acredita na ciência e não se comprometeu em dedicar esforços para reduzir desmatamento ou emissões, na contramão dos compromissos assumidos durante a Cúpula do Clima por diversos e importantes países”, diz a nota. Segundo a instituição, essa postura pode “afastar o crescente número de investidores responsáveis, alinhados com a visão de um desenvolvimento sustentável que respeite o meio ambiente e contribua com o enfrentamento da crise climática”.