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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Operação militar na Amazônia não reduz focos de queimadas

Equipe BR Político

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O Inpe divulgou nesta terça-feira, 1, os dados de queimadas da Amazônia em agosto de 2020. O mês teve o segundo número mais alto de focos de calor dos últimos dez anos: 29.307, ficando apenas 5% abaixo dos 30.900 de 2019, que escandalizaram o mundo, e acima da média histórica de 26 mil focos. Mesmo essa queda precisa ser relativizada, já que uma pane no satélite de referência usado pelo Inpe, o Aqua, fez com que parte da Amazônia não fosse observada no dia 16, produzindo um número anormalmente baixo de detecções.

Área queimada na cidade de Apuí, no Estado do Amazonas: floresta continua a ser alvo de desmatadores Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Os dados, no entanto, confirmam o fracasso da operação das Forças Armadas na Amazônia pelo governo federal como substituta de um plano de combate ao desmatamento. Entre maio e agosto, período de presença do Exército na Amazônia, o número de queimadas foi de 39.187, basicamente o mesmo de 2019 (38.952). Os militares foram à Amazônia em tese para evitar a repetição da tragédia do ano passado. Desde julho vigora uma moratória às queimadas.

Mourão, que é chefe do Conselho Nacional da Amazônia, afirmou, na quinta feira passada, 27, que as queimadas no bioma são “agulha no palheiro”. O vice-presidente menosprezou 24 mil focos de incêndios que foram registrados em agosto deste ano no bioma, justificando que são poucos focos em meio a extensão de cinco milhões de milhas quadradas da Amazônia Legal.

“O teatro militar montado pelo general Hamilton Mourão na Amazônia para iludir os investidores não conseguiu enganar os satélites”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. “Gastamos tempo e dinheiro do contribuinte, emitimos carbono, transformamos nossa credibilidade em fumaça e perdemos biodiversidade que não volta mais. Tudo isso porque as pessoas que estão no poder se recusam a implementar políticas públicas de combate ao desmatamento e ao fogo que não apenas já existiam como deram certo no passado.”

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