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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Opinião Ideia Big Data: O que acontece em Iowa, não fica em Iowa

Equipe BR Político

Por Maurício Moura*

Quem nunca ouviu a expressão “What happens in Vegas, stays in Vegas” (o que acontece em Vegas, fica em Vegas) sobre a cidade de Las Vegas, Nevada, nos Estados Unidos. Esse foi um slogan criado em 2003 pela agência de turismo da própria cidade para ser utilizado em campanhas direcionadas ao turismo local. A ideia surgiu depois que o órgão decidiu mudar a imagem de Las Vegas para algo mais positivo, não somente um lugar de apostas, jogatina e prostituição. Todavia, essa máxima não vale para as primárias presidenciais americanas que tradicionalmente começam no Estado de Iowa. E o pleito que lá ocorrerá no dia 3 de fevereiro terá enorme protagonismo na escolha do candidato (a) democrata que irá desafiar o republicano e atual presidente Donald Trump.

Os Estados de Iowa e New Hampshire (que vão às urnas 11 de fevereiro) representam uma pequena parte do eleitorado americano, mas são chaves para o resto da corrida pela Casa Branca. Não por acaso, os candidatos (as) que querem ser presidente passam meses pisando na neve para fortalecer a candidatura e não verem suas campanhas naufragarem muito cedo. 

Para os democratas existe, um peso histórico no pleito do Estado do milho. Desde 2000, o vencedor democrata de Iowa se transforma no escolhido do partido. Aconteceu com Al Gore em 2000, John Kerry em 2004, Barack Obama em 2008 e Hillary Clinton em 2016. A vitória em Iowa costuma aquecer a campanha em três frentes importantes: a) aumenta o interesse dos eleitores de outros Estados pelo vencedor. O caso de Barack Obama em 2008 é o maior exemplo disso; b) ajuda muito na mobilização de voluntários da campanha em geral. Nos Estados Unidos, a capacidade de atrair voluntários é uma variável chave de êxito eleitoral; e c) estimula a doação de recursos para a campanha vencedora. Os números de captação dos vencedores de Iowa sempre superam os dos concorrentes.

 Em 2020, é impossível, baseado nas pesquisas de opinião atuais, antecipar o vencedor da próxima segunda-feira, 3. A média das últimas pesquisas de institutos locais de Iowa mostram Bernie Sanders como líder (com 25-30 pontos porcentuais, a depender da pesquisa), seguido pelo ex-vice-presidente John Biden (com 20-25 pontos porcentuais em média), mas com Elizabeth Warren, Amy Klobuchar e Pete Buttigieg com 10-15 pontos porcentuais cada. Dito isso, as pesquisas também mostram que, aproximadamente, 50% dos potenciais eleitores podem mudar de voto. 

 Portanto, diante desse quadro das pesquisas de opinião e do contexto das regras eleitorais das primárias de Iowa, literalmente tudo pode acontecer e, assim como Las Vegas, estamos diante de uma grande roleta eleitoral. Para Amy Klobuchar e Pete Buttigieg, uma derrota pode representar o fim da festa. Para Warren, Biden e Sanders, perder Iowa será uma enorme ressaca. Independente do resultado, os efeitos colaterais serão sentidos em todas as candidaturas porque o que “what happens in Iowa, does not stay in Iowa”.

*É economista, PhD em economia e política do setor público e professor visitante na George Washington University. Recebeu recentemente certificado do Programa da Owner/President Management da Universidade de Harvard. Fundador e presidente do Ideia Big Data.

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