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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Opinião Ideia Big Data: A agenda do segundo semestre

Equipe BR Político

Por Danilo Cersosimo*

Agosto finalmente chegou e, com ele, retoma-se a discussão sobre a reforma da Previdência no Senado. Contudo, a abertura do segundo semestre legislativo promete muito mais.

Na pauta estarão também as propostas de reforma tributária, das privatizações, do pacote anticrime, da liberação de armas e da manutenção do sistema Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

Desde o início do ano, as pesquisas mensais de opinião pública do IDEIA Big Data monitoram a percepção dos brasileiros em relação aos rumos do País, às perspectivas para os próximos meses e à agenda do governo.

Os dados mostram, por exemplo, que o indicador de favorabilidade à reforma tributária supera a casa dos 40%, tendência muito parecida com o que se viu em relação à reforma da previdência. Mas a resistência é menor, entre outros motivos, porque, de início, há a expectativa em se pagar menos impostos e simplificar o sistema de tributação.

As pesquisas também indicam que há parcela da população – não necessariamente pró-governo – que tem perfil mais reformista, o que faz sentido, dado o anseio por mudanças detectado no período que antecedeu as eleições de 2018.

Tais demandas não diziam respeito somente ao establishment político, mas também ao sistema como um todo – pesquisas de opinião pública pré-eleitorais mostravam que a percepção de que o Brasil estava no rumo errado vinha aumentando consideravelmente desde 2013. Isso atingiu uma quase unanimidade sobre os rumos do País e vinha abalando a confiança na economia, nas instituições, no sistema político e nas regras que sustentam os pilares.

As demandas continuam vivas. Segundo a pesquisa mensal de opinião pública do IDEIA Big Data**, o combate à corrupção é tido como o principal problema a ser resolvido no País, com 36% de menções. Em segundo lugar, aparece a questão do desemprego, com 33% de citações. Essas duas áreas dominam as prioridades dos brasileiros, ficando bem acima de outras questões, como segurança pública, saúde, educação, meio ambiente, entre outros.

Em paralelo, quando estimulados a opinarem sobre as pautas que o governo federal e o Congresso Nacional deveriam priorizar para este ano, 26% apontam o endurecimento das penas para o crime organizado, corrupção e crimes violentos e 20% elegem a reforma política, o que só reforça o sentimento de necessidade de mudança que moveu os brasileiros nas últimas eleições.

Obviamente que a agenda anticrime e as iniciativas que tenham impacto nas estruturas políticas têm mais apelo porque estão mais próximas do cotidiano dos brasileiros sob vários aspectos. Ainda que estimulados, somente 8% dos entrevistados mencionaram a reforma tributária e apenas 4% elegeram as privatizações nessa lista de possíveis prioridades do Executivo e do Legislativo para este ano.

Curiosamente, essas devem ser as duas principais pautas que ocuparão a agenda dos brasileiros – com o pacote anticrime correndo em paralelo – no segundo semestre.

É possível prever que tanto a reforma tributária quanto a agenda de privatizações serão abraçadas pelo Congresso e pelo ministro Paulo Guedes, enquanto o presidente Bolsonaro deverá priorizar cada vez mais as questões relacionadas à corrupção, segurança pública e à pauta mais conservadora dos costumes, visando fortalecer sua imagem entre o núcleo que o apoia.

*É cientista social pela USP e mestre em estudos urbanos pela UCL (University College London). Atua há mais de 20 anos na área de pesquisa social e opinião pública, especialmente em temas ligados a política, avaliação de impacto social e reputação corporativa. É VP de Opinião Pública e Reputação Corporativa do IDEIA Big Data no Brasil.

**Pesquisa com 1.533 entrevistas representativas da população brasileira realizada entre os dias 31 de julho e 1 de agosto de 2019