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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Opinião Ideia Big Data: A Europa para os antieuropeus

Equipe BR Político

Por Maurício Moura

“A América para os americanos” resumia a famosa Doutrina de James Monroe (presidente americano de 1817 a 1825). Tal reafirmava a posição americana contra o colonialismo europeu. As eleições para o Parlamento Europeu de 2019 brindaram os partidos e movimentos nacionalistas e eurocéticos. O estrago só não foi maior porque os Verdes e Liberais ganharam espaço nas urnas. Conservadores e socialistas europeus (centro esquerda e centro direita) sofreram a maior perda dos últimos 40 anos. Diante disso, como os dados disponíveis explicam os resultados?

A Universidade George Washington compilou dados de pesquisas públicas de todos os países que votaram no 26 de maio. Um ponto convergente é eloquente: a maioria dos eleitores não se sente representado pelo Parlamento Europeu. Muito pelo contrário, o que vem de Bruxelas costuma, nas mentes da opinião pública europeia, produzir problemas. Esse é um sentimento muito latente, principalmente, pós-crise econômica de 2008. Momento de grande turbulência econômica e política.

Esse distanciamento de representatividade nos remete a um segundo ponto captado pelas pesquisas: o voto das europeias é um voto de “protesto”. Para a maioria, é mais óbvio buscar alternativas mais radicais nas eleições europeias do que nas eleições locais (onde a potencial resolução dos problemas é mais próxima dos eleitores). Não foi incomum partidos nacionalistas/eurocéticos terem melhores votações para o PE do que para as eleições locais. Esse é um dos principais fatores que explica o maior comparecimento dos europeus em eleições nacionais/locais.

Todavia, vale mencionar que houve um aumento da participação dos eleitores quando comparado ao pleito de 2014 (56% de abstenção contra aproximadamente 50% de abstenção em 2019). Um amplo monitoramento de redes sociais, também da Universidade George Washington, antecipou um nível de discussão 150 vezes maior nas redes sociais sobre eleições europeias quando comparado ao mesmo período de 2014. Um forte indício de maior interesse sobre o tema. Dados qualitativos do mesmo estudo mostraram que o Brexit (para bem e para o mal) foi o principal propulsor desses diálogos.

Para o Brasil, fica a lição que o voto de protesto segue forte quando o eleitor não se sente minimamente representado. O modelo de eleição proporcional brasileiro distância Brasília dos brasileiros. Em 2019, grande parte da população vive os problemas do mundo real enquanto a nossa capital discute filosofia/história e alimenta polêmicas no Twitter. Para os europeus, é hora de lidar com a nova doutrina: a “Europa para para os antieuropeus”.

Mauricio Moura: Economista, PhD em Economia e Política do Setor Público. Maurício é professor visitante na George Washington University e recebeu recentemente certificado do Programa da Owner/President Management da Universidade de Harvard. Fundador e Presidente do IDEIA Big Data.

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