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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Opinião Ideia Big Data: A plataforma Bloomberg é real?

Equipe BR Político

Por Maurício Moura*

Em 1999, eu buscava meu primeiro estágio no mercado financeiro e uma pergunta era recorrente: “Já mexeu com a Bloomberg?”. A ignorância pueril da inexperiência me fazia responder com sinceridade: “Nunca mexi com a Bloomberg, mas vou me dedicar a aprender rápido”. A tal “Bloomberg”, na verdade, é um sistema (terminal) de software de computador-fornecedor de dados financeiros. Tal permite que profissionais do setor de serviços financeiros e de outros setores tenham acesso a vários tipos de dados por meio de diversos comandos e códigos. O sucesso mundial desse terminal permitiu que Michael Bloomberg se tornasse um bilionário e mais tarde pudesse ser prefeito de Nova York por três mandatos. Agora o bilionário quer ser presidente dos Estados Unidos e sua candidatura está abalando o “sistema operacional” e a dinâmica das primárias do partido Democrata. Todavia, Bloomberg tem alguma chance real de ser o candidato dos democratas? Qual o código da vitória para ele?

Sem dúvida, as primárias serão um enorme desafio para seu “software” eleitoral. Vencer em Nova York (por mais cosmopolita e complexa que seja) não se compara a concorrer à presidência dos Estados Unidos. Até o momento, a corrida tem um líder incontestável: Bernie Sanders. O senador por Vermont, autoproclamado líder do “socialismo americano”, teve bons desempenhos em Iowa (empatado com Pete Buttigieg) e New Hampshire (em primeiro lugar) e ainda uma vitória excepcional em Nevada (com larga vantagem em relação ao segundo colocado, Joe Biden).

Já ex-prefeito de NYC optou por uma estratégia diferente do tradicional e focou seus recursos financeiros em estados que farão parte da “Super Tuesday” (a chamada Super Terça-feira que ocorrerá em 3 de março): Alabama, Arkansas, Califórnia, Colorado, Georgia, Maine, Massachusetts, Minnesota, North Carolina, Oklahoma, Tennessee, Texas, Utah, Vermont e Virginia. Uma estratégia quase suicida se a campanha de Michael Bloomberg não tivesse gasto mais de 400 milhões de dólares em mídia de TV, rádio e digital. Essa data é crucial para Bloomberg. Estarão em disputa nada menos que 1.357 delegados (contra 155 de antes da Super Tuesday) e 2467 em todas as disputas posteriores.

Para o bilionário, é vencer ou vencer em 3 de março. Em 2008, Rudolph Giuliani, nas primárias do partido Republicano, arriscou essa mesma estratégia de Bloomberg (de focar somente na Super Tuesday) e, sem os mesmos recursos financeiros, foi fracasso total. Caso fique atrás de Bernie Sanders, depois desse dia decisivo, dificilmente será o escolhido para desafiar o presidente Donald Trump em novembro. Pesquisas de intenção de voto nos Estados Unidos apontam para o seguinte cenário: Bloomberg com mais chances em estados do sul como Alabama, Arkansas, Georgia, Tennesse e Oklahoma. Já Bernie tem ampla vantagem nas pesquisas em locais como Vermont, Minnesota, Colorado e Massachusetts.

Porém, a equação não é trivial. Nas primárias democratas (diferente dos republicanos) não é “winner takes all” (o vencedor leva tudo, ou todos os delegados de cada estado). Os candidatos, em linhas gerais, ganham um número de delegados proporcionais ao número de votos. E há outros candidatos na disputa. Elizabeth Warren (que promoveu o ataque mais contundente ao ex-prefeito Bloomberg no último debate o acusando de fazer pouco caso de episódios de assédio com mulheres na sua empresa) deve ter grande votação em Massachusetts, estado no qual é Senadora. O mesmo deve acontecer com Amy Klobuchar em Minnesota e, sem mencionar Pete Buttiegieg e Joe Biden, que devem ter votos em estados importantes como Virginia e North Carolina. Há uma enorme disputa para as chamadas “joias da coroa” da Super Tuesday: Califórnia e Texas. Bernie Sanders lidera as pesquisas nesses locais, mas está longe de ser o franco favorito.

Portanto, a resposta se Michael Bloomberg é ou não um “sistema” operacional para ser presidente está próxima. Basta aguardar uma semana e esperar pelo “comando” do eleitor desses estados. Depois da Super Tuesday, saberemos se Bloomberg 2020 é uma plataforma real ou uma candidatura terminal.

É economista, PhD em economia e política do setor público e professor visitante na George Washington University. Recebeu recentemente certificado do Programa da Owner/President Management da Universidade de Harvard. Fundador e presidente do Ideia Big Data.