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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Opinião Ideia Big Data: A reforma da previdência é só o começo

Equipe BR Político

Por Danilo Cersosimo*

Na última semana a proposta de reforma da previdência foi aprovada na Comissão Especial da Câmara dos Deputados e agora, segue para votação em plenário. Tudo indica que o parecer do relator Samuel Moreira (PSDB-SP) deverá ser aprovado para em seguida tramitar no Senado.

No entanto, pesquisa do IDEIA Big Data** realizada entre os dias 01 e 05 de julho, mostra que o apoio dos brasileiros em relação à reforma da Previdência diminuiu. Em junho, 46% dos entrevistados eram a favor da reforma da previdência, enquanto a fatia dos que eram contrários foi de 29%. Em julho, 39% se posicionaram a favor e 33% eram contra. Importante ressaltar que a pesquisa ocorreu logo após as manifestações pró-Moro e antes da aprovação do texto da reforma na comissão especial do plenário.

Os dados também nos mostram que a expectativa positiva para a economia do país, caso a reforma da previdência seja aprovada, é de 39% (contra 40% em junho). As percepções negativas e neutras também permaneceram nos mesmos patamares do mês anterior.

Em relação ao argumento de que “a nova previdência vai melhorar a vida dos brasileiros”, 30% concordam, 35% discordam e 35% não concordam nem discordam. Há aqui porção significativa da população que está reticente em relação às perspectivas da reforma da previdência para o país ou para a melhoria de suas próprias vidas.

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getúlio Vargas ajuda a explicar este cenário de desconfiança. Em que pese ter subido 1,9 ponto em junho, atingindo 88,5 pontos e interrompendo uma série de quatro meses em queda, ele se mantém em patamar baixo em termos históricos. O mesmo se aplica para o Índice Nacional de Confiança da Associação Comercial de São Paulo, que atingiu 99 pontos em maio contra 104 pontos em janeiro, após um longo período estagnado após as turbulências políticas dos últimos anos.

Tal fenômeno não chega a surpreender e se explica pela contínua deterioração das condições de vida atuais: 46% dos brasileiros afirmam estar insatisfeitos em relação à vida hoje e 68% acreditam que o Brasil está pior ou igual em comparação há um ano, segundo nosso monitoramento mensal de opinião pública. Para um governo eleito sob o mantra de mudar tudo de verdade, estes não são bons indicadores.

Para transformar este cenário, a agenda de ajustes fiscais, geração de emprego e aumento de produtividade para setores-chave deverá estar cada vez mais presente na pauta do Executivo, do Legislativo e, consequentemente da opinião pública – que aguarda ansiosamente ver o país e a economia na espiral positiva.

O primeiro ano de mandatos presidenciais tende a ser produtivo – uma espécie de lua-de-mel com o Congresso permite que temas mais espinhosos sejam colocados na pauta e o índice de aprovação de emendas costuma ser mais alto do que o restante do mandato. A agenda da reforma da previdência, que inegavelmente é impopular, vai passar.

O governo precisará então estar preparado e contar tanto com capital político no Congresso quanto com apoio da opinião pública para fazer com que as demais mudanças necessárias para o país sejam colocadas à prova. Não é um desafio fácil – porém, há parcela significativa da população indiferente à polarização ideológica e aguardando os resultados práticos da reforma da previdência e da melhora da economia para emitir uma opinião mais pragmática sobre o atual governo.

Esse segmento da opinião pública, atualmente no campo da neutralidade, poderá fazer diferença na sustentação da popularidade do governo fora de suas hostes e turbinar a pauta reformista que ainda precisa ser conduzida.

**Pesquisa com 1512 entrevistas representativas da população brasileira realizada entre os dias 01 e 05 de julho de 2019.

*Danilo Cersosimo: Cientista social pela USP e mestre em estudos urbanos pela UCL (University College London). Atua há mais de 20 anos na área de pesquisa social e opinião pública, especialmente em temas ligados a política, avaliação de impacto social e reputação corporativa. É VP de Opinião Pública e Reputação Corporativa do IDEIA Big Data no Brasil.

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