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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Opinião Ideia Big Data: As demandas da opinião pública e a oferta do governo

Equipe BR Político

Por Danilo Cersosimo*

Desde o início do ano, as pesquisas de opinião têm mostrado o gradual derretimento da imagem e das expectativas positivas em relação ao governo Bolsonaro. As razões são inúmeras, mas o principal motivo de desalento recai sobre os alarmantes índices de desemprego que afligem o País.

Tradicionalmente, as pesquisas de opinião pública no Brasil (e, de modo geral, na maioria dos outros países) mostram que questões ligadas à economia tendem sempre a aparecer como necessidades prioritárias. Mesmo quando surgem demandas diferentes de emprego ou inflação, como imigração ou corrupção, a análise aprofundada dos dados traduz que, no fundo, elas estão indiretamente ligadas às questões econômicas (seja porque “imigrantes roubam nossos empregos”, seja porque “para a economia crescer é preciso acabar com a corrupção”).

Os dados do monitoramento mensal de opinião pública do IDEIA Big Data, referentes ao mês de junho**, mostram que Corrupção (42%) e Desemprego (41%) são tidos pelos brasileiros como os principais problemas a serem solucionados no país hoje. Em maio, esses indicadores eram de 38% e 32%, respectivamente. As demandas que ajudaram a configurar um cenário favorável ao então candidato Jair Bolsonaro continuam firmes e fortes.

O aumento da preocupação com esses temas está diretamente ligado à presença deles na mídia, nas redes sociais e – nas últimas semanas, nas ruas. No caso do desemprego, ele é cruelmente sentido no dia a dia, de diferentes formas e impõe um choque de realidade àqueles que nutriam expectativas de um Brasil melhor no curto prazo.

Neste contexto, fração significativa dos brasileiros deposita esperanças na reforma da Previdência como antídoto para sair da crise. No entanto, nos últimos meses o apoio a ela (35% em maio) estava correlacionado com a aprovação à gestão do presidente Bolsonaro, mas menor do que o apoio em fevereiro (45%). Devido à comunicação do governo, à apresentação do presidente em programas de televisão de massa, à campanha nas redes sociais e à narrativa construída quando das manifestações e o apoio à reforma que voltou a crescer e atingiu 46% em junho.

Na perspectiva da opinião pública, com a reforma da Previdência, tanto a economia do Brasil estará melhor daqui alguns anos (34% em maio vs 40% em junho) quanto a vida dos brasileiros (27% em maio vs 33% em junho). No entanto, há aqui um calcanhar de Aquiles para o governo.

A população encontra-se dividida no que tange a confiança na adequação do presidente para conduzir o processo de reforma. Se, por um lado, 43% se dizem muito ou um tanto confiantes sobre o quão adequadamente o presidente vem lidando com essa questão, por outro, 49% se dizem pouco ou nada confiante com a maneira como Jair Bolsonaro vem lidando com assuntos relacionados à reforma da Previdência.

Não se trata apenas de aprovar uma reforma da Previdência condizente com as necessidades do País e seu futuro; se trata de fazê-lo com capital político consistente para evitar a instabilidade que baterá à porta quando o efeito da reforma não se traduzir na esperada geração de empregos no curto prazo.

**Pesquisa com 1.431 entrevistas representativas da população brasileira realizada entre os dias 1 e 3 de junho de 2019

*Cientista social pela USP e mestre em estudos urbanos pela UCL (University College London). Atua há mais de 20 anos na área de pesquisa social e opinião pública, especialmente em temas ligados a política, avaliação de impacto social e reputação corporativa. É VP de Opinião Pública e Reputação Corporativa do IDEIA Big Data no Brasil.

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