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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Opinião Ideia Big Data: Coronavírus: novo termômetro do favoritismo de Trump

Equipe BR Político

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Por Mauricio Moura*

O ex-presidente do Corinthians Vicente Matheus, folclórica e famosa figura do meio futebolístico nos anos 1970 e 1980, tinha uma máxima simples e simplória: “o atacante ataca, o defensor defende e o meia meia”. As bolsas de valores vivem dias de pânico e desespero em função da oscilação de preços do petróleo aliada ao surto de incertezas do coronavírus. O ex-presidente corintiano diria que “renda variável varia” mas mesmo diante disso ficam duas questões: qual o impacto econômico real do novo vírus (até quando) e como isso influencia as eleições presidenciais americanas.

O fato é que ambas andam juntas. A economia é o principal pilar de aprovação do governo Trump. Os níveis de desemprego baixos e crescimento sustentável da economia americana garantem, a se basear por dados históricos, um favoritismo do atual ocupante da Casa Branca. Os últimos presidentes a perderem suas respectivas disputas de reeleição foram George H. Bush (em 1992) e Jimmy Carter (em 1980) e ambas administravam crises de emprego e inflação. Não é o caso de Donald Trump.

Dito isso, o vírus traz desafios que podem anestesiar esse favoritismo. Economistas, aqui dos Estados Unidos, apontam que uma desaceleração da economia chinesa (principal motor econômico afetado pelo vírus) pode afetar a cadeia global de produção. A estimativa, pré-vírus, era 8% de crescimento ao ano e passou para 4 a 5%. Parece alto para níveis brasileiros de PIB (Produto Interno Bruto) mas é uma desaceleração brutal  atinge diretamente as cadeias produtivas das principais empresas americanas. Todavia, quando falamos de opinião pública, a percepção de desaceleração na mente de consumidores e empreendedores já é suficiente para um eventual freio da economia dos Estados Unidos.

Para ampliar o quadro de incertezas, muito se circula de informação sobre o vírus e suas consequências, mas pouco se afirma sobre a duração do estado de alerta. A incerteza sobre o horizonte da crise pode passar por novembro e afetar a discussão eleitoral no seu ápice. 

Por último, outros economistas apontam que volatilidade e crise do petróleo não trazem bons resultados para presidentes-candidatos americanos. Os Estados Unidos são sempre muito sensíveis a crises globais de petróleo e o presidente Trump ainda não foi testado em uma crise dessas proporções. Fazer campanha e reagir à crise econômica passam longe de uma combinação exitosa.

Portanto, o termômetro do favoritismo de Trump depende do coronavírus, da China e do petróleo. Muito mais, inclusive, do que a própria competência do partido Democrata em apresentar um candidato competitivo. Nesse sentido, Vicente Matheus, se vivo e no auge da sua sabedoria popular, talvez dissesse: “Mr. Trump, fique ligado porque crise é crise e vice-versa”. 

*É economista, PhD em Economia e Política do Setor Público. Maurício é professor visitante na George Washington University e recebeu recentemente certificado do Programa da Owner/President Management da Universidade de Harvard. Fundador e Presidente do IDEIA Big Data.